Défice de nascimentos

Nos primeiros nove meses deste ano nasceram em Portugal menos 1375 bebés que em igual período de 2002. O balanço, porém, continua a ser positivo em relação aos óbitos. Até ao final de Setembro, o INE registou 84 005 nascimentos e 79 485 mortes. Só que o número de nascimentos está a cair consistentemente há décadas. Em 1960 nasceram em Portugal quase 214 mil bebés, em 1980 esse número estava pouco acima dos 152 mil e em 2002 situou-se nos 114 mil.
Segundo a Associação Portuguesa das Famílias Numerosas, o País tem uma carência de 45 mil nascimentos por ano, nos últimos 11 anos. A associação também refere que as famílias com três ou mais filhos são cada vez mais raras em Portugal. Entre 1981 e 2002, o número de primeiros filhos caiu 8%, mas o de segundos filhos desceu 23% e o de três ou mais descentendes diminuiu 60%. É certo que, ao mesmo tempo, aumentou em cerca de 80% o número de filhos nascidos fora do casamento, mas não chegou para compensar o défice geral.
Na União Europeia, os últimos números são de 2001 e apontam para cerca de quatro milhões de nascimentos, menos 45 mil que no ano anterior, mas mesmo assim significam um ligeiro crescimento. Portugal representa cerca de 2,7% da população da UE e o nosso índice de fertilidade é o décimo dos Quinze. Atrás de nós estão a Alemanha, Grécia, Áustria, Espanha e Itália. Os campeões da fertilidade são os irlandeses, mas a França, depois de um período com défice de nascimentos, voltou a acelerar, seguida da Dinamarca, Finlândia e Holanda.
As explicações podem ser de vária ordem, mas o certo é que, sem uma política mais atenta à família, sobretudo do ponto de vista fiscal, procurando não penalizar os casais com mais filhos, Portugal caminhará para uma situação de país envelhecido e sem capacidade para concorrer, mesmo com parceiros europeus. Ao mesmo tempo, assistir-se-á a um desequilíbrio perigoso entre reformados e população activa, que terá consequências na Segurança Social e na sustentação das pensões.
Diário de Notícias - 26 Dez 03

[anterior]

Outros artigos

Editorial

Confederação Europeia de Famílias Numerosas

Natal dos que não têm voz

Câmara do Porto adopta Tarifa Familiar da Água

Carta aberta aos deputados da nação

Encontro de delegados

Entrevista do Governador do Banco de Portugal

Comunicado "Entrevista do Governador do Banco de Portugal"

Medalhas APFN

II Congresso Europeu de Famílias Numerosas

Facilidades

Défice de nascimentos

Ajude a APFN com o seu IRS