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Natal dos que não têm voz
Neste momento, existem cerca de 90.000
crianças ainda não nascidas, em Portugal, das quais mais de 300 irão
hoje conhecer a luz do dia.
Cerca de 10.000 estão nas suas primeiras semanas de vida, ainda não se
tendo revelado aos seus pais.
A APFN deu, neste Natal, voz a estas crianças, numa mensagem dedicada
aos seus Pais, muito em particular às cerca de 60 que já estavam em
trabalho de parto.
Olá, Mãe querida!

Sim! Sou eu! O teu filho mais novo!
Aqui estou a falar-te, no local mais seguro do mundo, dentro de ti!
Obrigado pela Vida que tu e o meu pai me deste!
Se calhar, não sabes que já existo!
Mas eu já te conheço, ouço-te, sinto-te, sinto quando estás feliz,
quando estás triste, esperançada, amargurada, relaxada ou em "stress".
Não só te sinto, como sinto contigo os mesmos sentimentos, numa
ligação íntima que manter-se-á enquanto ambos vivermos (e mesmo
depois). E isto apesar de sermos bem distintos! Assim vamos
experimentando a linguagem única do amor, que nos une.
Se calhar, não me desejaste. Mas, olha, eu também não!
Não fui eu que desejei viver. Ninguém mo perguntou! Nem fui eu que te
escolhi, como também não me escolheste. É este o milagre da Vida...
Mas
estou tão feliz por estar aqui, onde nada me falta, porque também
estou reduzido à maior das simplicidades, sem expectativas nem
obcecado por projectos futuros. Sou apenas EU, simplesmente vivo,
experimentando esta maravilhosa relação contigo.
Peço-te, apenas, que me ajudes a manter esta relação mesmo depois de
nascer, ajudando a que o mundo lá fora seja o mais parecido possível
com o mundo cá dentro.
Olá, Pai querido!

Obrigado pela Vida que tu e a Mãe me deram!
Sabes que já te sinto?
Parte de mim, recebi de ti! Por isso, é natural que, mais tarde,
outros descubram semelhanças entre nós os dois. Também, pelo que sinto
através da Mãe, sinto-te a ti.
Quando a acarinhas, sinto as tuas carícias! Quando posas a tua mão na
sua barriga, também te sinto. E gosto tanto de sentir tua mão
protectora! Por isso, já deves ter reparado que, se antes estava a
mexer-me, fico quieto, a saborear a serenidade que recebo...
Pai! Preciso tanto de ti!
Queridos
Pais:
Preciso tanto de vocês!
Foi de vós que recebi a Vida.
É de vós que aprenderei a viver a Vida! Ensinem-me a amar e a saber o
que é o amor, através de vós! Não é possível a Vida sem Amor, nem Amor
sem Vida!
Sei que estão preocupados, para saberem se sou perfeito. Lamento
desiludir-vos, mas não sou!
A perfeição é um caminho que terei que percorrer depois de nascer, e
para o qual é indispensável a vossa ajuda, aprendendo com a forma como
vocês percorrem esse mesmo caminho.
Em breve, será o meu Natal, dia em que nos veremos pessoalmente!
Estou tão ansioso por esse dia, em que também irei conhecer os meus
irmãos, os meus tios, os meus primos, os meus avós, a minha Família!
Deêm-lhes já um grande beijo por mim!
Até esse dia, tenham um feliz Natal!
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