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Ecclesia - 23 de Abril
6 de Maio - Mensagem para o dia da Mãe
Comissão Episcopal da Família
O dia da mãe diz tanto e a tanta gente! É bom por isso mesmo que, na sua preparação, na sua vivência, todos procuremos captar a plenitude do seu sentido e penetrar na profundidade do seu significado.
Desejamos todos que não se circunscreva este Dia da Mãe a um conjunto de rituais vazios de conteúdo e destituídos de beleza, empobrecendo-o como o faz muitas vezes a publicidade televisiva, cedendo à mercantilização dos mais fortes e à consequente uniformização dos relacionamentos mais íntimos.
Vamos reconduzir este dia à sua genuinidade e à sua autenticidade e encontraremos nele uma dimensão terapêutica e um efeito regenerador para a nossa existência quotidiana.
Efectivamente, numa cultura egocêntrica que propende para a satisfação do interesse imediato, dizer Mãe é evocar a candura, o despojamento e a doação sem medida; é tocar no lado puro, simples e belo da vida; é reencontrar aquilo que porventura já tínhamos desaprendido; é fazer ressurgir o que talvez julgássemos impossível reavivar.
Mãe é uma palavra que, além de dizer muito a cada um, consegue remeter para a origem primeira e para o mistério último da vida: ao olhar para uma mãe, deparamos com o amor em que fomos gerados e com o desvelo com que fomos envolvidos. Uma mãe não é apenas nascente de vida. É um modelo de conduta e, desse modo, alicerce de civilização. Completamente expropriada de si mesma, uma mãe é escola de uma vida firmada na entrega e não na posse; assente na solicitude e não na indiferença; voltada para o tu e não centrada no eu.
É por isso muito oportuna esta evocação e bom seria não a esgotarmos num único dia. Oxalá que cada dia venha a ser Dia da Mãe, como deveria ser Dia do Pai, Dia do Filho, Dia do Irmão, Dia da Família.
Com a desvalorização do papel da família, há quem veja na maternidade um mero fenómeno de natureza biológica. Nós queremos reafirmar a nossa convicção de que o futuro da humanidade continua a passar pela família. Ao contrário do que alguns defendem, a base da sociedade não é o indivíduo isolado, mas a pessoa em relação, não esquecendo jamais que a relação originária é a que se estabelece entre homem e mulher, em ordem à celebração do mútuo amor e ao surgimento de novos seres.
Desejamos por isso mesmo que as autoridades apoiem mais decididamente as famílias estimulando a sua constituição e favorecendo a proximidade entre os seus membros. De facto, um dos problemas mais aflitivos que leva por vezes à desagregação de muitos lares, tem a ver com as distâncias que é preciso percorrer entre a própria casa e o local de trabalho. E da distância de lugares ao distanciamento das pessoas, que podem também ser mães, vai, muitas vezes, um pequeno passo, de consequências imprevisíveis e com prejuízos irreparáveis.
É neste espírito que encomendamos à Mãe de Deus todas as famílias e especialmente todas as mães. A ela entregamos os seus pedidos. À sua protecção confiamos as suas dores, os seus anseios e os sonhos que acalentam para os seus filhos.
20 de Abril de 2001
A Comissão Episcopal da Família
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