Ecclesia - 3 de Abril

Pílula do dia seguinte ou deseducação do dia antecedente?
Comunicado da Comissão Nacional Justiça e Paz e a Associação Juntos pela Vida. Pode ler na íntegra na Secção DOCUMENTOS. 

Nuno Tavares 

“Um passo estrategicamente delineado contra o primado da cultura da vida e da responsabilidade na sociedade portuguesa”. Foi deste modo que a Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) e a Associação Juntos pela Vida definiram a recente posição do Parlamento em aprovar a disponibilização, livre e em certas condições gratuitamente, da chamada pílula do dia seguinte. E denuncia que esta ideia visa ganhar “na secretaria (leia-se: Assembleia da República), o que se perdeu na terreno (leia-se: referendo popular)”. E considera esta posição um “atentado” pois faz “directa ou indirectamente, explícita ou implicitamente , o incitamento ou o elogio da divulgação do acto sexual como sendo neutro do ponto de vista pessoal, moral, afectivo e social”. 
A CNJP e a Associação Juntos pela Vida questionam que tipo de educação sexual é esta que se revê em embalagens de preservativos distribuídos pelas autoridades públicas sanitárias (pagas por todos nós) que qualifica o acto sexual de ‘valoroso acto’ (sic) e tem como principal mensagem escrita a de que «estás a um preservativo do melhor momento da tua vida?»”. Porém, não é só o campo dos valores que está em causa, mas também o da justiça social, porque se quase tudo se oferece então porque é que “não há dinheiro para ajudar muitos que sofrem as injustiças e a ineficiência do serviço público de saúde, de que o exemplo mais desesperante são as listas de espera nos hospitais”? E questiona “que equilíbrio é este num Serviço de Saúde pago pelos contribuintes que disponibiliza a pílula do dia seguinte, mas que não tem o mesmo tratamento em relação a medicamentos para proteger a saúde, defender a vida ou aliviar a dor?”
E apesar de agora, tal como já em outras situações o Parlamento ter ignorado os portugueses, a CNJP e a Associação Juntos pela Vida afirmam a sua determinação de continuarem a lutar pela primazia da vida, da responsabilidade e da dignidade, como bases para a realização integral da pessoa humana. 

[anterior]