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Expresso - 21 de Abril
Famílias estão mais pequenas
A DIMENSÃO média das famílias portuguesas está a baixar, situando-se entre 2,5 e três pessoas por agregado - de acordo com as primeiras estimativas feitas a partir dos dados dos Censos 2001. Em 1991, cada família tinha 3,1 pessoas, enquanto uma década antes a média era de 3,4 elementos. Os primeiros resultados preliminares da operação de recenseamento somente serão divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) na primeira quinzena de Junho. Por outro lado, para já, a leitura das respostas aos questionários aponta também para um «aumento do número de famílias» e de «mais pessoas a viverem sós», tendências, aliás, já verificadas nos Censos de 1991.
Até ao final de Abril, a maioria dos questionários já terá sido recolhida, faltando uma percentagem mínima que, segundo José Casimiro, «não deverá ultrapassar 1%».
Segundo o director dos Censos 2001, José Casimiro, em meados do ano já será possível saber se o número de residentes em Portugal aumentou. «Gostaríamos de festejar a passagem dos 10 milhões», afirma. Esta mega-operação censitária, que somente estará concluída no final do próximo ano, permitirá também «saber se o processo de envelhecimento da população se está a agravar devido à quebra da natalidade e ao aumento da esperança de vida». Outra grande dúvida que será esclarecida «é se a população com menos de 18 anos continua a decrescer».
Betão em vez de árvores
Mas a «grande surpresa» esperada nestes Censos não são as alterações na estrutura familiar, prendendo-se com os alojamentos. «Vamos ver se o país continua a ser ocupado pelo betão, isto é, se a construção prossegue a conquistar superfícies no território, em detrimento da área verde. Estamos à espera de um crescimento no número de alojamentos, em comparação com 1991, mas queremos saber se este aumento se está a fazer na vertical ou na horizontal», afirma José Casimiro.
Segundo o director dos Censos, em 1991, por falta de uma base geográfica do recenseamento anterior (1981), foi impossível avaliar a evolução da ocupação do território com todo o pormenor. «Este ano, pela primeira vez, está tudo preparado para avançar para um sistema de informação geográfica que combine a base geográfica de 1991 com a de 2001, como nunca se fez».
Aumento de segundas casas
Outra das suposições dos Censos 2001 é o aumento da população nas áreas urbanas. Do que já é possível apurar, José Casimiro admite, também, «eventualmente, um aumento no número de casas vazias» no decorrer da operação, o que significa que cada vez mais portugueses têm duas casas.
Segundo José Casimiro, as queixas de falhas na recolha dos questionários prende-se a com falta de informação, «pois desde sempre esteve apontado o dia 30 de Abril como prazo final para o término da operação, o que está a ser amplamente divulgado», embora admita que esta mensagem, que não constava propositadamente dos formulários, talvez devesse ter sido passada mais cedo para a população.
Para o director dos Censos 2001, as dificuldades verificadas na recolha dos questionários em «condomínios e vivendas super-protegidas com esquemas de segurança e cães de guarda, principalmente na região de Cascais» não impedirão que no início do próximo ano comecem a ser conhecidos os dados definitivos da operação.
MARIA LUIZA ROLIM
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