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Diário de Notícias - 27 de Abril
Também há boa despesa Francisco
Azevedo e Silva
As intervenções do Governo, bem como as consequentes medidas aprovadas em
Conselho de Ministros, têm perseguido um objectivo importante: tornar o
Estado um bom exemplo de rigor nos gastos e no trabalho. Decisões como a
não concessão de tolerância de ponto pelo último feriado, a limitação das
viagens nos Falcon, a obrigação de os ministros, sempre que se desloquem
de avião, viajarem em executiva (e não em primeira) e os membros do
gabinete em económica e ainda a imposição de diversas restrições no uso de
viaturas, telefones e cartões de crédito em toda a administração pública,
são exemplos das medidadas pequenas e simples que têm marcado a actuação
do Governo nestes primeiros quinze dias.
Até à apresentação do Orçamento Rectificativo, tudo indica que o Governo
continuará a sua campanha pela moralização nos gastos do Estado, tendo até
ao momento anunciado a aprovação, em Conselho de Ministros, de apenas uma
medida ambiciosa, o compromisso de acabar, em dois anos, com as listas de
espera na saúde.
O trabalho do Governo para que o Estado readquira uma imagem de rigor é
indiscutivelmente importante. O seu papel não se resume, contudo, a
combater os desperdícios, sendo indispensável aumentar a eficácia do
Estado, o que levará também à supressão de desperdícios.
Tal como para a poupança, também para o aumento da eficácia são possíveis
medidas simples. Estas situam-se, por regra, do lado da prevenção e estão
associadas a gastos. Ou melhor, obrigam a investimentos dado que essa
despesa evita maiores gastos futuros.
Acções de prevenção/fiscalização na actividade económica, na saúde ou no
trabalho são uma obrigação do Estado, não alienáveis por maior que seja a
necessidade de contenção de despesa. Esta é precisamente uma das áreas em
que o Estado tem falhado: na prevenção/fiscalização.
Exemplo de maior gravidade é o que se passa nas obras públicas, onde
centenas de trabalhadores morrem todos os anos, e muitos ficam inválidos,
por não serem respeitadas as normas de segurança. Há omissão inaceitável
do Estado.
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