Expresso - 27 de Abril

Nova vida nas escolas
Durão revoga leis de Cavaco


Mais de duas negativas e excesso de faltas darão direito a «chumbo»

O NOVO ministro da Educação, David Justino, vai fazer alterações que contrariam medidas tomadas por governos de Cavaco Silva. Em causa estão, sobretudo, diplomas assinados por Roberto Carneiro e Couto dos Santos, ministros escolhidos para lançar a reforma do sistema educativo e alargar a escolaridade obrigatória para nove anos. Em 1989 - e na sequência do trabalho desenvolvido por Roberto Carneiro -, Couto dos Santos estabeleceu as regras de avaliação para o ensino obrigatório.

Segundo estas, os «chumbos» só teriam lugar nos 4º, 6º e 9º anos de escolaridade, defendendo o Governo de Cavaco que «a retenção tem sempre carácter excepcional» para os alunos abrangidos pela escolaridade obrigatória e com menos de 16 anos.

David Justino contraria esta linha, considerando que os efeitos da passagem de um aluno com quatro ou cinco negativas são «perniciosos». O novo ministro promete «rever» esta matéria, criando um limite de duas negativas.

O gabinete do ministro defende ainda que a assiduidade deve ser contabilizada para efeitos de notas, prometendo aplicar sanções - aliás já previstas na lei e nunca usadas - aos pais dos «gazeteiros», as quais passam pelo corte de bolsas e de apoios da acção social escolar.

A carta de direitos e deveres dos alunos que está actualmente em vigor foi aprovada pelo Governo socialista em 98 e apenas exige ao estudante que seja «assíduo» e «permaneça na escola durante o seu horário», nunca fazendo menção a limites quanto ao número de faltas às aulas.

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