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Expresso - 27 de Abril
Educação mais transparente
Francisco Ferreira da Silva
«Por que não submeter todos os alunos, mesmo os do ensino recorrente
aos mesmos exames? Por que não obrigar a que, como acontecia antigamente,
todos os alunos dos colégios façam os seus exames em escolas oficiais?
Afinal, pôr todos em igualdade de circunstâncias, pelo menos nos exames, é
fácil e pode ser feito já este ano.»
O NOVO ministro da Educação deu esta semana a sua primeira grande
entrevista ao «Diário de Notícias». David Justino, um economista doutorado
em Sociologia, mostrou saber o que quer e para onde vai mais cedo que os
seus pares, talvez por já ser «ministro-sombra» do PSD. E fê-lo de uma
forma clara e sem grandes subterfúgios.
Os alunos do ensino básico vão deixar de passar com reprovação a mais de
duas disciplinas. A ideia do ministro é introduzir o ensino de tecnologias
da informação sem aumentar a carga horária dos alunos. «Se possível, vou
diminuí-la», «tudo o que ultrapasse 25 horas semanais é demais» e «é
melhor ter menos horas, mais bem dadas, com os miúdos mais descansados»
são afirmações do mais puro bom senso e que têm particular significado
para quem tem filhos em idade escolar.
David Justino promete reintroduzir os exames do 9º ano até ao fim desta
legislatura. Também quer desburocratizar os processos disciplinares e
reforçar a autoridade dos professores. Mas, não aceita o abandono escolar,
até por que «é ilegal». Por isso, os pais têm de ser responsabilizados
pelas faltas sistemáticas e o abandono escolar dos filhos. Para o
ministro, «a educação não é só um direito: é um dever. O país não pode
prescindir de valorizar o seu capital humano. É uma obrigação de todos, de
cidadania».
Ao longo da entrevista, David Justino afirma que o anterior Governo tratou
a Educação como «uma amante caprichosa, daquelas a quem se dá dinheiro
para estar calada». Por isso, diz, «a situação está mais calma, mas o
preço que se pagou foi o da desqualificação». Também se referiu à polémica
entre escola pública e escola privada. Em seu entender, «aquilo de que
quero ficar escravo é da oposição entre boas e más escolas. Essa é a minha
obsessão e não me levam para outra polémica». David Justino tem sido um
defensor dos «rankings» de escolas.
O capítulo onde o novo ministro se mostra menos afirmativo é no que diz
respeito ao ensino recorrente. Diz que «é preciso moralizar a situação»,
mas não adianta muito em relação à forma como o irá fazer. Ora, o problema
do ensino recorrente reflecte-se, sobretudo, no acesso ao ensino superior.
Quem quer ter melhores notas, anula a inscrição no estabelecimento de
ensino que frequenta, arranja uma justificação em como está a trabalhar e
submete-se a um exame que, ainda por cima é diferente - supõe-se mais
fácil - que os exames normais.
Como todos sabemos este é um aspecto sensível onde se verificam inúmeras
injustiças e onde os alunos que seguem as vias normais são, regra geral,
prejudicados. Por que não submeter todos os alunos, mesmo os do ensino
recorrente aos mesmos exames? Por que não obrigar a que, como acontecia
antigamente, todos os alunos dos colégios façam os seus exames em escolas
oficiais? Afinal, pôr todos em igualdade de circunstâncias, pelo menos nos
exames, é fácil e pode ser feito já este ano.
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