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Público - 27 de Abril
Daniela e Ana Filipa Não Levam Dinheiro para a Escola
Por BÁRBARA WONG
Na escola Roque Gameiro, na Reboleira, todos utilizam cartão com banda
magnética para entrar e fazer compras. Neste caso, o cartão, desenvolvido
pela Universidade de Aveiro, está também ligado ao projecto Prodesis, da
Universidade Católica Portuguesa, um programa de gestão das faltas, notas
e outros dados curriculares dos alunos. Para os pais, é um descanso.
É hora de almoço e a fila frente à porta do refeitório da Escola Básica de
2º e 3º ciclos Roque Gameiro, na Reboleira, Amadora, começa a engrossar.
Em vez de apresentarem a senha do almoço a um funcionário, os alunos sacam
do cartão de estudante e passam-no num leitor de bandas magnéticas
colocado junto à porta. Uma vez lido o cartão, acende-se uma luz por cima
das cabeças: verde para passar ou encarnada para lembrar que a senha do
almoço ainda não foi adquirida. O cartão serve também para entrar e sair
da escola e para fazer compras no bar ou na papelaria. Na Roque Gameiro, o
cartão, desenvolvido pela Universidade de Aveiro, está aliado ao projecto
Prodesis, da Universidade Católica Portuguesa, um programa de gestão das
faltas, notas e outros dados curriculares dos alunos.
De repente, a luz vermelha acende. Atrapalhado, o garoto dirige-se ao "kiosk",
um monitor de computador com leitor de banda magnética que se encontra na
sala de convívio. O miúdo passa o cartão e marca a refeição daquele dia,
aproveita para ver a ementa e agendar os almoços para o resto da semana.
No final da operação, chega a informação de quanto é que gastou. Volta a
tocar no monitor, num círculo colorido onde se lê "conta corrente",
confirma o que fez e aproveita para ver o que já gastou naquele dia: bebeu
duas coca-colas e comeu um bolo. Tudo antes do almoço. "O cartão prepara
os alunos para a vida activa, em termos de utilização do multibanco e de
controlo das suas despesas", acredita o professor Francisco Marques,
vice-presidente do conselho executivo da escola.
"Assim não somos roubadas"
Desde o início do terceiro período, altura em que toda a escola passou a
usar cartão - funcionários e professores incluídos -, que Daniela e Ana
Filipa deixaram de andar com dinheiro. "É muito fixe", exclama Daniela, de
11 anos e no 6º ano, sobre o cartão. "É melhor que usar dinheiro, porque
assim não somos roubadas e, se nos tirarem o cartão, fazemos queixa e é
logo anulado", explica Ana Filipa, 12 anos, 6º ano. Embora esteja na
carteira, podia andar com ele ao pescoço, brinca um miúdo do 5º ano. E Ana
Filipa justifica porquê: "Uso-o para tudo, para entrar e para sair da
escola, para lanchar, para comprar as senhas do almoço..."
"O único defeito é que não dá para usar nas máquinas das bebidas e aí
temos que usar moedas", lamenta Daniela. O professor Francisco Marques
confirma que se deixaram de vender tantas bebidas nas máquinas - a venda
foi transferida para o bar da escola. É que o cartão não é só útil aos
alunos, como à escola, pois permite fazer o controlo de existências, ou
seja, assinalar que produtos é que mais se consomem e o que é que a escola
precisa de comprar. O objectivo final é abolir completamente a transacção
de dinheiro na escola. Também os funcionários e os docentes podem fazer as
suas compras no bar ou na papelaria com o cartão, que, ao ser passado na
máquina registadora, mostra imediatamente o rosto do consumidor, por
questões de segurança.
Só os cartões dos professores é que não têm o controlo de entradas e
saídas activado. "É uma questão de programação", diz o presidente do
conselho executivo, João Bernardo. Já o controlo da assiduidade dos
empregados e dos alunos é feito através do cartão. E aí entra o programa
Prodesis em acção, já que é ele que permite verificar os horários dos
alunos e ver se têm ou não autorização para sair da escola ou se estão a
faltar a alguma aula. Se isso acontecer, existe um alarme, junto ao
portão, que é accionado, pondo a descoberto o infractor.
Segundo o vice-presidente da escola, os pais também estão satisfeitos com
o novo sistema - a associação de pais e a autarquia comparticiparam o
custo dos cartões -, pois permite-lhes estar descansados porque sabem que
os miúdos estão nas aulas. Para além disso, se quiserem, podem verificar
os gastos feitos pelos mais novos, as faltas que deram e a sua evolução
escolar. Numa segunda fase, a escola gostaria que, através do mesmo
cartão, os alunos tivessem acesso a outro tipo de dados fornecidos pelo
Prodesis - como é o caso das informações acerca das notas ou das faltas.
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