RR - 16 Abr 08

 

Nota de Abertura da Rádio Renascença

Mais uma machadada nos valores [da Família]
 

 

O PS quer facilitar os divórcios entre os casais portugueses. Para além de atacar a noção de casamento da Igreja Católica, relativiza a sua importância na sociedade portuguesa.

 

Por iniciativa do Partido Socialista, está a ser dado mais um passo na facilitação do divórcio.

 

No preâmbulo do novo diploma, o PS ataca a noção de casamento da Igreja Católica -- em nome do que classifica como o espírito renovador, aberto e moderno que marcou há quase cem anos a I República. É um primeiro aviso da agenda comemorativa que se aproxima...

 

Para o Partido Socialista, importa não perder de vista o processo de “sentimentalização, individualização e secularização” da sociedade. Mas, de uma assentada, relativiza-se o casamento e o seu papel na construção de uma sociedade.

 

No novo projecto, a simples infelicidade de uma doença mental de um cônjuge poderá ser motivo suficiente para divórcio. Quaisquer outros factos (que a lei não nomeia) podem colocar ponto final no casamento; e abandonam-se algumas tentativas de reconciliação que a lei actual ainda prevê.

 

Para o Estado, o casamento não passa de um contrato. Mas sendo um contrato de excepcional importância para as pessoas e para a sociedade, é estranho que seja reduzido ao mais frágil de todos os contratos. Um contrato que envolva interesses patrimoniais ou financeiros é bem mais defendido pela lei; custa mais pô-lo em causa; é difícil fugir-lhe...

 

Em rigor, aquilo que o PS propõe já não é um casamento. Reduz-se a uma declaração de vontades, com meros efeitos imediatos. O futuro, de acordo com a lei, fica à mercê de simples caprichos ou da infelicidade de quem enfraquece psíquica ou mentalmente.

 

Felizmente, ninguém pode ser obrigado a casar. Mas o Estado também não devia impor à sociedade a banalização do casamento.

 

O casamento implica exigência, compromisso e consciência desse compromisso. Quem não estiver preparado para ele, terá outras alternativas. Que terão outro nome, que não o de casamento.

 

Numa fase preocupante, em que as sociedades perdem referências e desígnios, os socialistas dão uma nova machadada: encorajam a desagregação da família e do casamento.

 

Eis um desafio, nomeadamente para os católicos portugueses: o desafio de, sem imposições abusivas, afirmar e viver – nestas e noutras matérias -- as suas convicções.

 

Porque, ao contrário do que se pretende fazer crer, as referências religiosas devem assumir consequências nos demais aspectos da vida.