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Público - 18 Ago 04
O QUE DIZ A LEI
Por M.O.
Responsabilidade é de quem explora os
recintos
O decreto-lei 100/2003 veio regular as
normas de segurança na instalação,
manutenção e conservação das balizas. Assim,
compete às entidades responsáveis pelos
equipamentos desportivos (pessoas singulares
ou colectivas que asseguram o regular
funcionamento do espaço) mantê-los em
condições que excluam a possibilidade de
queda, devendo poder resistir à suspensão e
ao balanço sem sofrer rupturas. Esta
entidade deve também assegurar a manutenção
regular e periódica das balizas, devendo ser
efectuadas inspecções de rotina por
organismos acreditados. Quando os
equipamentos apresentam deteriorações, devem
ser reparados de imediato ou retirados. A
lei obriga à existência de um manual de
instruções que indique as condições de
instalação e utilização dos equipamentos,
assim como um livro de manutenção que
registe as reparações e os acidentes. Em
todos os espaços onde existem equipamentos
desportivos deve haver informação visível,
como a identificação e o contacto da
entidade responsável e a indicação do
telefone mais próximo. Os responsáveis devem
ainda celebrar um seguro de responsabilidade
civil que possa ressarcir os danos causados
aos utilizadores. A fiscalização destas
normas e a aplicação de sanções é, em alguns
casos, do Instituto Desporto de Portugal (IDP)
e, noutros, das câmaras municipais. O IDP
tem que manter um base de dados com o
registo de todas as estruturas e garantir
que são recepcionados até 31 de Dezembro de
cada ano os certificados de inspecção. As
disposições aplicam-se às balizas de
futebol, andebol, hóquei e polo aquático e
aos equipamentos de basquetebol existentes
nas instalações desportivas de uso público.
OUTROS CASOS
Cinco mortes entre 2000 e 2002
A regulamentação da lei surgiu após uma
vaga de casos mortais com balizas ocorridos
entre 2000 e 2002. Cinco crianças morreram e
duas ficaram com sequelas neurológicas
graves. 2001 foi um ano particularmente
trágico, com três mortes, no espaço de três
meses. A segurança dos recintos desportivos
voltaria à ordem do dia no Verão de 2002,
quando um rapaz de 15 anos não resistiu aos
ferimentos provocados pela queda de uma
baliza durante um jogo de futebol numa
colónia de férias, em Vila Nova de
Milfontes. Dois meses depois, a Associação
para a Promoção da Segurança Infantil (APSI)
divulgou um estudo que concluia que uma em
cada dez balizas testadas em escolas e
campos de jogos cedia a pesos, constituindo
um perigo para crianças. Na altura, foram
analisadas cerca de três centenas de balizas
em todo o país. O facto de não haver notícia
de casos mortais, desde então, parece
demonstrar que "há uma maior
consciencialização da população em geral"
para este problema, considera Helena Cardoso
Menezes, presidente da APSI. [anterior] |