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Público - 29 Ago 04
Associações Anti-aborto Contratulam-se
com decisão do Governo
A
Associação Portuguesa de Maternidade e Vida rejubilou com a decisão
governamental. Em comunicado, alegou que a vinda do barco significa
"uma alteração radical dos comportamentos de algumas associações
pró-aborto". Afirmando haver "disponibilização de meios à prática do
crime [de aborto], na divulgação e no incitamento à sua prática",
voltou a apelar ao procurador-geral da República, no sentido de dar
"instruções claras às entidades policiais para que identifiquem,
persigam e punam os autores de tais crimes". A Associação Vida Norte
já tinha feito este tipo de leitura, com base no artigo 297 do
Código Penal, que diz que quem, "em reunião pública, através dos
meios de comunicação social, por divulgação de escrito (...)
provocar ou incitar à prática de um crime é punido com pena de
prisão até três anos". E a interpretação fora rapidamente contestada
por diversos juristas. "O disparate não paga imposto", referiu o
bastonário da Ordem dos Advogados, José Miguel Júdice, colocando a
acção das organizações que promoveram a vinda do barco no plano de
uma manifestação em favor de uma alteração legislativa. Mais
comedida foi a reacção da Juntos Pela Vida. Dizendo-se "contente",
Pedro Lima Monteiro salientou que a vinda do barco "é uma acção de
'marketing' e não um serviço de apoio às mulheres" e defendeu que "o
Governo fez o que seria de esperar: houve o anúncio de um acto
ilegal em Portugal, o Governo tentou impedir que esse acto se
praticasse". A.C.P.
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