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Agência Financeira
- 26 Ago 06
Regresso às aulas custa
mais de 500 milhões às famílias portuguesas
Sandra Almeida Simões
Média ronda os 350 a 370 euros
por aluno
O início do ano lectivo está a chegar. As famílias
vão ter que abrir os cordões à bolsa. Em 2006/2007,
os pais e encarregados de educação vão gastar mais
de 500 milhões de euros na compra de manuais
escolares e material didáctico.
Segundo os dados avançados pelo ministério da
Educação à «Agência Financeira», estão inscritos
cerca de 1,5 milhões de alunos no ensino básico e
secundário, o que representa uma média de 350 euros
por família.
A «Agência Financeira» fez as comparações por ano
lectivo e chega-se à conclusão que o valor mínimo de
despesas ascende aos 130 euros, somando só o preço
dos livros escolares, e refere-se ao 2º ciclo do
Ensino Básico. Mas, se aos livros recomendados
acrescentar os livros auxiliares, ou cadernos de
actividades, o custo agrava-se e sobe para mais de
150 euros.
A passagem para o 3º ciclo, faz disparar
automaticamente os preços para valores mais elevados
e representa os anos em que mais dinheiro vai ter
que desembolsar. Os manuais escolares obrigatórios
para o 3º ciclo atingem, em média, os 200 a 250
euros, que somados aos cadernos de actividades,
alcançam valores que rondam os 275 euros.
Se terminado o Ensino Básico, pensa que os encargos
financeiros vão aumentar no Ensino Secundário,
desengane-se. A média de preços dos livros do 10º ao
12º ano sofre uma redução, quando comparado com o 3º
ciclo. No ensino secundário, a média ronda os 210 a
230 euros, já incluídos os livros auxiliares, mas se
apenas adquirir os manuais obrigatórios a despesa
diminuiu para 175 a 190 euros.
Mais acessível é a despesa de quem tem filhos que
vão este ano pela primeira vez para a escola. A
factura pesa menos, com o preço dos livros a oscilar
entre um mínimo de 20 euros até um máximo de 30 a 35
euros, se acrescentar os livros auxiliares.
Preço dos livros é um «imposto e um roubo para as
famílias
O preço dos manuais escolares é «um balúrdio e
representa um verdadeiro imposto, não só sobre as
famílias com filhos em idade escolar, mas também
sobre todos os contribuintes», considera o
presidente da Associação Portuguesa de Famílias
Numerosas (APFN), Fernando Ribeiro e Castro.
Em declarações à «Agência Financeira», o responsável
pela associação referiu que o «dinheiro gasto todos
os anos em livros é um verdadeiro roubo feito às
famílias, mais carenciadas ou não, com o aval do
Governo».
A mesma fonte acrescenta que é também «um roubo aos
contribuintes, já que o Estado compra os livros às
famílias que tem acesso à acção social escolar, com
o dinheiro que sai dos bolsos dos contribuintes». As
verbas destinadas à acção social escolar são, na
opinião do presidente da AFPN, «mal gastos, uma vez
que as verdadeira necessidades como a alimentação
não são contempladas».
Fernando Castro explica que apesar «do esforço feito
pelo actual ministério da educação» continua a
verificar-se que são os pais e os alunos que se
encontram ao serviço da indústria educativa, quando
deveria verificar-se o contrário».
Uma das grandes preocupações da associação passa
pelo facto de os livros escolares não poderem ser
reutilizados, bem como os preços exagerados que são
aplicados, muito devido à escolha de papel e
impressões com qualidade superior àquela que é
exigida».
Porem este ano a mesma fonte considera que «o
problema que se mantém há décadas, ignorado pelos
consecutivos Governos está no caminho da resolução,
graças à lei aprovada recentemente que aumenta o
prazo de validade dos livros».
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