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Diário de Notícias - 27 Dez 03
Morrer em contramão
Desde o começo do ano, morreram nove pessoas em acidentes de automóvel -
pelo menos, dez - provocados por condutores que se introduziram na faixa
contrária de auto-estradas e itinerários principais. Isto é, seguiam em
contramão.
É urgente que se encontrem as explicações para este tipo de acidentes e se
combatam as causas, que as há - umas mais fáceis de detectar, outras nem
por isso. Compete às autoridades, neste caso ao Ministério da
Administração Interna, que tutela a Direcção-Geral de Viação, encontrar
respostas coerentes para a sinistralidade em geral e, em particular, para
o novo fenómeno dos acidentes provocados por condutores em contramão.
Faz sentido, por exemplo, questionar o ensino da condução, em que os
alunos não tomam sequer contacto com as auto-estradas, não são treinados
para as dificuldades dos pisos molhados, enfim, não experimentam situações
exteriores a um pequeno circuito urbano.
Pode-se também pôr em causa a sinalização, que está longe de ser a ideal.
Muitas vezes é pouco explícita, outras não tem a visibilidade
aconselhável.
Há um aspecto, no entanto, que releva dos outros e que tem a ver com os
exames médicos para a revalidação da carta de condução. A legislação só
prevê um, aos 65 anos. No limite, qualquer condutor só precisa de fazer
dois em toda a sua vida. Um antes de obter a carta, aos 18 anos, e o outro
quando completar 65. Durante esse período, quem cuida de saber se o
condutor dispõe das condições mínimas de saúde física e mental para
continuar a conduzir em segurança? Ninguém. E serão os exames médicos
realizados aos 65 anos, nos centros de saúde da residência do condutor,
eficazes? Provavelmente, não.
As seguradoras poderiam aqui desempenhar um importante papel, reavaliando
o condutor, por períodos variáveis, consoante o seu estado de saúde,
independentemente de uma monitorização mais frequente por parte do Estado.
Como se vê, nesta matéria há muito a fazer
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