Público - 06
Dez 05
Ministério da educação
estuda alteração da lei
Exames nacionais do 12.º ano poderão vir a
ser apenas três
Bárbara Wong
Português e Filosofia deixam de ser obrigatórios.
Alunos dos cursos tecnológicos e artísticos só fazem
provas se quiserem ingressar
no ensino superior
O Ministério da Educação quer
reduzir o número de exames nacionais que os alunos
têm de fazer no final ensino secundário. A proposta
é que os estudantes façam apenas três provas de
avaliação externa e que o Português e a Filosofia
deixem de ser obrigatórios para todos os cursos.
O secretário de Estado da Educação, Valter Lemos,
não põe de parte que estas mudanças entrem em vigor
já este ano lectivo, apenas para os alunos de 11.º
ano que estão a preparar-se para fazer dois exames -
a Filosofia e a uma disciplina bienal. Em
declarações ao PÚBLICO o governante explica que
estes alunos podem não fazer o exame de Filosofia,
que passaria a ser uma prova de escola. "Esta é uma
opção de política educativa que não implica ter de
fazer mais exames este ano. Quando muito, pode
implicar fazer menos um, o de Filosofia", anuncia.
A tutela quer que os estudantes deixem de fazer
exame nacional obrigatório a Português, no final do
ensino secundário, em todos os cursos
científico-humanísticos (os antigos cursos gerais),
excepto no de Línguas e Literaturas. Mas as
"hipóteses estão todas em aberto", salvaguarda o
governante.
Os alunos dos cursos tecnológicos e dos artísticos
especializados só se submeterão aos exames nacionais
se quiserem candidatar-se ao ensino superior, prevê
o anteprojecto. "O objectivo é centrar os exames nas
áreas nucleares dos cursos e fazer com que a
conclusão do secundário e o acesso ao ensino
superior sejam dois momentos diferentes", justifica
o secretário de Estado.
Valter Lemos pediu vários pareceres "informais" e um
formal ao Conselho Nacional de Educação (CNE) sobre
esta proposta de alteração a alguns artigos da lei
publicada, no ano passado, pelo anterior executivo
do PSD.
Os alunos dos cursos gerais que vão terminar este
ano lectivo o 12.º ainda não estão integrados nessa
última revisão curricular, por isso fazem o mesmo
número de exames que nos anos anteriores: uma prova
da componente de formação geral (Português A ou B,
consoante o curso) e as restantes provas da
componente específica (todas as disciplinas do 12.º
ano). Em média são cinco.
À espera de parecer do CNE
Segundo a lei de avaliação já aprovada no ano
passado, os alunos passam a submeter-se a quatro
exames, distribuídos pelos 11.º e 12.º anos, com
Português e Filosofia obrigatórios para todos os
cursos (ver quadro). A lei de David Justino prevê
ainda que os estudantes dos tecnológicos e
artísticos especializados também prestem provas
nacionais. De fora ficam os estudantes do recorrente
e dos cursos profissionais, que só fazem exames se
quiserem prosseguir os estudos no ensino superior.
Agora, o Ministério da Educação vem propor que
deixem de se fazer exames comuns a todos os cursos
(Português e Filosofia). E que só os alunos dos
cursos científico-humanísticos tenham de prestar
provas nacionais para terminar o ensino secundário.
Contudo, todos os interessados - do ensino
recorrente, tecnológicos, profissionais e artísticos
especializados - podem submeter-se às provas, caso
queiram prosseguir para o ensino superior.
A tutela está à espera do parecer do CNE, que será
discutido no próximo dia 15, para passar à redacção
definitiva da lei. Segundo o projecto de parecer, a
que o PÚBLICO teve acesso, as propostas merecem a
"concordância genérica" do conselho.
As modificações estão a ser discutidas com o
Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.
A actual lei só prevê a realização de exames a uma
disciplina bienal, quando muitos cursos de ensino
superior continuam a pedir, como provas específicas,
duas bienais.
Além das alterações à avaliação externa, a proposta
mais recente prevê ainda uma "correcção curricular",
de maneira a permitir que os estudantes de qualquer
curso possam estudar uma língua estrangeira
diferente da que aprenderam no ensino básico.