Público - 05 Dez 07

Quer ser amigo do ambiente? Não se divorcie
Andréia Azevedo Soares

Os gastos de água e electricidade aumentam muito
quando os casais se separam e cada um vai para uma nova casa

Alguma vez parou para pensar nos danos que o divórcio pode causar ao ambiente? Dois investigadores da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, resolveram dedicar-se ao tema que, segundo relatam num estudo publicado hoje na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, tem sido pouco ou nada abordado pelos especialistas da área. A conclusão? Quando o amor acaba e vai cada um para o seu lado, o planeta também sofre.

Não só porque as separações impulsionam a aquisição de mais casas, móveis e utensílios domésticos, mas também porque a divisão do agregado familiar aumenta os consumos de água e energia. "Acender a luz gasta a mesma quantidade de energia quer estejam duas ou quatro pessoas numa sala", disse Jianguo Liu, especialista em ecologia e um dos autores do estudo.

Peguemos no exemplo dos Estados Unidos: cerca de 73 mil milhões de quilowatts/hora de electricidade poderiam ter sido poupados, só no ano de 2005, se a eficiência do consumo energético nos lares de pessoas divorciadas fosse a mesma registada nas suas antigas casas.

A separação implicou ainda, no mesmo período, a utilização de 38 milhões de novos alojamentos, assim como o aumento do consumo de energia eléctrica e água (46 e 56 por cento, respectivamente, dizem as contas feitas pelos investigadores).
Assim, de repente, podem até parecer exagerados os resultados encontrados por Jianguo Liu e Eunice Yu. Mas faz algum sentido se pensarmos nos hábitos quotidianos. O divórcio pode multiplicar por dois a utilização do sistema de aquecimento central, a lavagem da roupa de cama e o número de frigoríficos ligados à corrente, por exemplo.

Os investigadores analisaram os dados disponíveis sobre as relações domésticas e os recursos gastos nos Estados Unidos e em outros onze países (a amostra incluía tanto países desenvolvidos como em desenvolvimento). A tendência encontrada em cada um deles é semelhante: quando os casais se separam, o consumo de recursos escassos como água, energia e materiais aumenta significativamente.

Sobejam trabalhos sobre os impactos socioeconómicos e psicológicos dos divórcios - já se estudou como a separação afecta a produtividade dos ex-cônjuges ou o desempenho escolar dos seus filhos, por exemplo.

Mas, até hoje, ninguém parece ter.se alguma vez debruçado a sério sobre os custos ambientais do divórcio, nota Jianguo Liu, num comunicado de imprensa. É por isso que, com o número de divórcios a aumentar, os cientistas recomendam que "os governos tenham em conta o custo total dos divórcios quando desenham políticas ambientais".

A boa notícia é que, quando aqueles que estão separados voltam a apaixonar-se, incluindo assim novas pessoas no ninho, o consumo extra de recursos volta a cair.