Agência Ecclesia -
16 Dez
08
Situação demográfica preocupante em Portugal
Fernando Castro, APFN- Associação Portuguesa de
Famílias Numerosas
APFN admite que se chegue em 2050 a uma situação
insustentável, com uma idade média acima dos 50 anos
A situação demográfica em Portugal é bastante
preocupante. Assim que foram conhecidos os dados
demográficos de 2007, em que Portugal atingiu um
mínimo absoluto no número de nascimentos (102 492),
a APFN actualizou as projecções demográficas até
2050, dando origem ao seu Caderno 16 - "Demografia -
Passado e Presente. Que Futuro?", que foi
apresentado oficialmente no passado dia 27 de
Setembro no Seminário por esta organizado na
Assem-bleia da República, sob o tema "Inverno
demográfico: O problema. Que respostas?".
Este Caderno 16 está disponível no site da APFN (http://www.apfn.com.pt).
Em resumo, foram analisados 4 cenários, de onde se
destacam: Cenário base: O que acontecerá se o ISF -
Índice Sintético de Fecundidade (número de
nascimentos por mulher em idade fértil) se mantiver
constante e igual ao valor de 1.32 atingido em 2007?
Note-se que se trata de um cenário optimista, uma
vez que este índice não pára de cair, pelo que um
"cenário base" deveria prever a continuada queda
deste índice.
Cenário natural: Vamos imaginar que o Governo
adoptaria as mesmas medidas já existentes em França
e que permitisse que os casais tivessem os filhos
que desejam. O último estudo do INE (1998) indica
que o número médio de filhos desejados é igual a
2.1, curiosamente exactamente igual ao número que
deveria existir para haver reposição de gerações,
isto é, travar o constante aumento da idade média da
população, a que se dá o nome de "envelhecimento da
população". Prosseguindo nas "curiosidades", uma das
populações que respondeu mais rapidamente às medidas
adoptadas em França foi precisamente a comunidade
portuguesa aí residente, o que demonstra à evidência
que a reduzida fertilidade em Portugal não é uma
questão de raça mas, apenas, de condições. Em
França, há um ambiente favorável e os casais têm um
o número de filhos que desejam, enquanto que em
Portugal há um ambiente anti-natalista e só têm 1.32
em vez dos desejados 2.1. Obviamente, que a resposta
não foi instantânea às medidas aí adoptadas, tendo
demorado dez anos a atingir-se esse número.
Portanto, neste estudo, assumiu-se exactamente esse
cenário, isto é, a partir de 2009 o ISF começaria a
crescer linearmente até atingir os 2.1 ao fim de 10
anos e, depois, manter-se-ia constante e igual a
esse valor.
Assumiram-se, ainda, mais dois cenários: um cenário
baixo em que o ISF continuaria a baixar (embora a um
ritmo bem inferior ao que tem existido nos últimos
30 anos?) e um cenário ideal, em que, depois de
atingir os 2.1, continuaria a subir a uma taxa
inferior. Os resultados são bem elucidativos.
No cenário base, chegar-se-ia, em 2050, a uma
situação insustentável, com uma idade média acima
dos 50 anos e um rácio de idosos sobre população
activa superior a 0.6! Ora isto fará com que, muito
antes desta data, "algo" aconteça, onde "algo"
significa uma forte convulsão social! Ou acabam as
pensões de reforma ou os activos revoltam-se com os
impostos e taxas que terão que pagar?
Pelo contrário, no cenário natural, observamos a
situação demográfica normalizar-se: a idade média da
população atinge apenas um máximo de 44 anos, abaixo
dos fatídicos 48, e o Índice de Dependência de
Idosos estabiliza em 0.48, com tendência para
baixar.
Do estudo se conclui que, teoricamente, é possível
evitar-se o desastre.
No entanto, embora tenham sido adoptadas algumas
medidas sob a designação de "incentivos à
natalidade", essas medidas não irão ter os
resultados que o Governo apregoou pelas seguintes
razões:
- Foram adoptadas medidas fortemente anti-natalistas,
designadamente:
. Liberalização do aborto - Portugal foi o primeiro
país no mundo a liberalizar o aborto em plena crise
demográfica"!
. Liberalização do divórcio unilateral e "sem culpa"
- a instabilidade conjugal é uma razão de primeira
ordem para a baixa taxa de natalidade. Portugal já
tinha uma das maiores taxas de divorcialidade na
Europa. A experiência noutros países mostra que a
introdução do divórcio unilateral leva a um aumento
de 20% na taxa de divorcialidade.
- Entre os "incentivos à natalidade" foram
aumentados os abonos de família e as deduções no IRS
para os filhos de ordem 3 ou superior mas apenas até
aos três anos de idade (?!) e um aumento de 20% no
abono de família nas famílias "monoparentais" (?!).
Isto é agravado, ainda, por a classe política em
geral (e o Governo em particular) dar mostras de não
estar a perceber as causas nem a profundidade da
actual crise, estando a desbaratar recursos que
fariam falta para as medidas adequadas.
Por estas razões, estamos muito pessimistas quanto
aos resultados práticos? e ao futuro de Portugal.