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Expresso - 24 de Fevereiro
Suicídio colectivo
«Numa altura em que seria natural que os sinais dados à sociedade pelas instituições e pelos responsáveis políticos fossem no sentido da defesa das uniões estáveis, as reivindicações que mais ruidosamente se fazem ouvir dizem respeito à equiparação das uniões de facto ao casamento, criando a ideia de que o casamento é uma formalidade inútil.»
UM DOS problemas estruturais do país é o envelhecimento da população.
Um país velho é um país mais triste, com menos energia, com mais problemas de saúde, com menor produtividade, com maiores encargos sociais, com menos futuro.
Já defendemos, por isso, que o Estado deveria criar incentivos à natalidade.
Proteger fiscalmente as famílias numerosas, favorecer a existência de creches junto dos locais de trabalho, promover horários flexíveis para as jovens mães, criar transportes gratuitos para as crianças, dar prioridades várias aos casais com filhos.
A medida mais importante de todas, no entanto, é a defesa da família.
Torna-se evidente que uma família sólida está mais disponível para ter filhos do que um casal que vive em união precária.
Uma família estável, com condições para planear o futuro, está mais bem colocada para ter filhos do que um casal que se limita a viver o dia-a-dia.
NO ENTANTO, nos últimos anos, todos os passos que a sociedade portuguesa - e as sociedades europeias, de uma forma geral - tem dado são no sentido de fragilizar o casamento, de pôr em causa a família tradicional, de tornar as ligações entre homens e mulheres mais fugidias e efémeras.
E todas as iniciativas partidárias vão, estranhamente, no mesmo sentido.
É a proposta de equiparação das uniões de facto ao casamento.
É a reivindicação de regalias para os «casais» homossexuais idênticas às dos casais tradicionais.
NUMA altura em que seria natural que os sinais dados à sociedade pelas instituições e pelos responsáveis políticos fossem no sentido da defesa das uniões estáveis, as reivindicações que mais ruidosamente se fazem ouvir dizem respeito à equiparação das uniões de facto ao casamento, criando a ideia de que o casamento é uma formalidade inútil.
Numa altura em que os partidos deveriam propor incentivos à natalidade, as exigências mais escutadas dizem respeito às regalias para os «casais» de pessoas do mesmo sexo, ou seja, para as uniões estéreis.
Vivemos uma época estranha.
Não é apenas a mudança acelerada dos hábitos, a quebra de tabus, as reivindicações impensáveis há uma geração.
Em todas as épocas esta questão existiu.
O problema é que o resultado destas ideias começa a estar à vista e é mau.
O envelhecimento de um país é uma espécie de suicídio colectivo a prazo.
Constitui um sinal de que as pessoas não se sentem felizes.
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