Diário de Notícias - 11 Fev 03

O pior mês de Janeiro dos últimos quatro anos nas estradas
PAULA SANCHEZ

Há quatro anos que não havia tantos acidentes de viação em Janeiro e, se não fosse a redução muito significativa do número de mortos em desastres ocorridos dentro das cidades, o primeiro mês de 2003 por certo passaria para a história como um dos meses de maior mortandade nas estradas na última década.

Depois dos terríveis indicadores de 2002, que confirmaram um acentuado aumento da sinistralidade dentro das áreas urbanas, merece agora registo a evolução muito positiva no primeiro mês deste ano: houve menos duas centenas de acidentes e menos nove vítimas mortais nas cidades. Também os feridos graves passaram de 132, em 2002, para 104, em Janeiro de 2003, decrescendo os feridos ligeiros ainda em maior proporção (de 1358 para 1290).

O decréscimo da sinistralidade grave em Lisboa e Porto muito contribuiu para a diminuição global. Lisboa e Porto continuam a ser as cidades de maior risco de circulação rodoviária (aumentaram os acidentes de viação), mas, em Janeiro deste ano, morreram menos duas pessoas em Lisboa e menos uma no Porto. Na área de jurisdição da PSP, e comparando com Janeiro do ano passado, o saldo negativo registou-se no Funchal e em Aveiro, distritos onde no primeiro mês do ano morreram duas pessoas, quando em idêntico período do ano passado só se tinha registado uma morte.

FISCALIZAÇÃO. Nas estradas, ao invés, os comportamentos rodoviários parecem longe de querer melhorar. Antes pelo contrário.

A GNR contou agora mais 600 acidentes de viação e mais 12 mortos que no primeiro mês de 2002, facto que deixa entender um acentuado aumento da gravidade dos desastres. Esta tendência reflectiu-se em mais dois feridos graves e mais 200 ligeiros.

O aumento _ no mínimo escandaloso _ da condução sob influência do álcool está bem patente na evolução da fiscalidade exercida apenas pelas patrulhas da Brigada de Trânsito e só nas principais estradas do território continental.

Com efeito, a taxa de alcoolemia foi a única infracção a registar um acréscimo acentuado, confirmando uma tendência com três anos. No primeiro mês de 2001 tinham sido autuadas por este motivo cerca de 800 pessoas, em 2002 as infracções já ultrapassaram um milhar e, em Janeiro deste ano, foram mais de 1300 os condutores que fizeram o teste do balão com resultado positivo. O saldo das detenções por taxa de alcoolemia exageradas acompanhou este ritmo: 284 condutores alcoolizados detidos em 2001, 375 em 2002 e 498 este ano.

Do lado inverso, houve menos multas por excesso de velocidade e ausência do cinto de segurança.
 

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