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Público - 8 Fev 03
Movimento "Uma Atitude para Portugal"
Por FILOMENA FONTES
O ministro da Segurança Social e do Trabalho, Bagão Félix, terá recebido ontem
um incentivo para avançar com as suas propostas de revisão das leis laborais. O
movimento "Uma atitude para Portugal-Sedes" não só aplaude na generalidade o
Código de Trabalho apresentado pelo Governo, como considera que "a sua
viabilização e entrada em vigor são indispensáveis à modernização do mercado
laboral e ao desenvolvimento da economia portuguesa".
Bagão Félix foi o governante escolhido para o jantar de apresentação, ontem no
Porto, deste movimento de jovens quadros que se propõe influenciar as decisões
políticas, apresentando contributos concretos e soluções para o país.
Num primeiro documento de trabalho, subordinado ao tema "Propostas concretas
para o aumento da produtividade e para o reforço da competitividade em
Portugal", ressalva-se, no entanto, que o novo código de trabalho não é a
panaceia para resolver as grandes questões da produtividade e de competividade
que o país enfrenta.
Neste pressuposto, enunciam-se um conjunto de medidas que tocam a administração
pública, a economia, o emprego, a fiscalidade, a justiça, a melhoria da
qualidade de vida e, finalmente, as relações laborais e sindicalismo.
Entende o movimento que, por exemplo, no domínio da administração pública as
relações laborais se passem a reger pelas regras gerais do trabalho: "Este é um
primeiro passo, mas seguramente decisivo, no sentido do seu emagrecimento, da
sua flexibilização, do aumento da sua produtividade e, mais ainda, da qualidade
do serviço prestado". Ao mesmo tempo, é salientada a vantagem de uma efectiva
avaliação de desempenho, que "premeie o mérito e capacidade de
trabalhador/serviço" e um modelo que "permita alguma concorrência na
administração pública (como existe, por exemplo, no notariado)".
No âmbito da economia, é defendido o primado do mercado, mas sugere-se a
intervenção do Estado, designadamente quando subsistem factores de concorrência
desleal entre empresas: "Embora não seja possível generalizar, as empresas
deficitárias são elementos de forte perturbação no mercado: não cumprem as
obrigações fiscais, não pagam aos fornecedores, têm o pagamento de salários em
atraso, não oferecem qualquer tipo de credibilidade ou estabilidade. O Estado
deve ter uma intervenção legislativa, determinando qual é o limite temporal para
situações como estas". Concretamente, preconiza-se que àquelas empresas seja
impedido o acesso a fundos e incentivos públicos, nacionais e comunitários.
Mais lazer, menos greves
O capítulo dedicado à qualidade de vida comporta ideias singulares. Defende-se a
alteração dos horários de trabalho - antecipando o horário de entrada e,
consequentemente, o horário de saída - e apela-se ao "alargamento do período de
lazer disponível da parte da tarde" com vista a favorecer a prática de
actividades culturais, recreativas e desportivas e estimulando "o
desenvolvimento do comércio e da criação de novos postos de trabalho" nessas
áreas. Em suma, o movimento assume "o modelo espanhol, sendo embora certo que em
Portugal, por razões sociológicas, não há condições para que o horário do almoço
possa ser tão alargado".
Quanto às relações laborais e sindicalismo, as propostas do movimento uma
"Atitude para Portugal" são claras: apostar na formação, limitar o direito à
greve. Sublinhando a necessidade da formação profissional (obrigatória,
suportada pela entidade patronal mas em horário extra-laboral), os promotores do
movimento propõem, ao mesmo tempo, que a empresa deve ser indemnizada, caso o
trabalhador rescinda o contrato de trabalho num período (a definir) subsequente
à frequência de acções de formação profissional altamente especializada.
Finalmente, os sindicatos. "A actuação do sindicalismo deve ser maislimitada
(...) Nomeadamente no que à greve diz respeito, entendemos que, para além da
responsabilização civil prevista no ante-projecto do Código de Trabalho, devem
ser introduzidas mais limitações ao exercício deste direito", lê-se no
documento.
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