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Público - 9 Fev 03
Níveis de Educação Influenciam Natalidade
Por A.S.
Países com uma população feminina mais escolarizada tendem a ter taxas de
fecundidade mais baixas. Nações onde as mulheres estão mais arredadas da escola
produzem mais bebés.
A análise consta de um estudo - "População, educação e desenvolvimento" - da
Organização das Nações Unidas (ONU), que será apresentado em Março, em Nova
Iorque.
A ligação dos níveis de educação às taxas de fecundidade é visível quando se
comparam países ou quando se olha para o desempenho da população de cada estado.
Na América Latina, Ásia ocidental e África subsariana, as mulheres com o ensino
secundário ou superior chegam a ter menos três crianças cada do que as suas
compatriotas que não frequentaram a escola, diz a ONU. Mas há excepções a esta
tendência.
Nos países mais desenvolvidos, nomeadamente europeus, o tipo de diploma que uma
mulher obtém parece interferir menos no tamanho da família que decide ter. Em
Portugal, Bélgica, Itália, Espanha ou Noruega, por exemplo, as mulheres que
frequentaram cursos pós-secundários têm, em média, tantos ou mais filhos do que
as que têm apenas o 12º ano ou equivalente.
Sublinhando que decisões como a idade com que se casa e se tem o primeiro filho
ou o tamanho da prole são determinadas, sobretudo, por aspectos culturais e
económicos, os especialistas defendem igualmente que, em muito casos, apenas
alguns anos de escola podem influenciar as opções individuais. Sobretudo nas
regiões mais desfavorecidas do planeta.
Veja-se o exemplo do continente africano: analisados 28 países, a ONU chega à
conclusão que, no grupo das mulheres de 20 anos sem instrução, em média a
maioria (75 por cento), é casada; 83 por cento já tiveram relações sexuais e 61
por cento foram mães; entre as mulheres com a mesma idade, mas um nível de
escolarização secundária ou superior, essas percentagens são, respectivamente de
30, 64 e 27 por cento. Diferenças de ordem semelhante foram encontradas em 13
países da América Latina e 12 da Ásia.
O cenário não é muito diferente nas regiões do mundo mais desenvolvidas, como a
França, Reino Unido ou Estados Unidos. No Reino Unido, as mulheres entre os 20 e
os 24 anos que abandonaram a escola sem qualquer certificação têm quase 20 vezes
mais probabilidade de já terem dado à luz do que as que chegaram a níveis mais
avançados nos estudos.
O uso de contraceptivos entre as jovens mulheres (15-19 anos) também aumenta com
o nível de escolaridade, seja na África subsariana e América Latina, seja nos
países desenvolvidos. Em África, por exemplo, sete por cento das mulheres
casadas sem educação usam habitualmente contraceptivos; a percentagem de
utilizadoras sobe para 27 por cento entre as mulheres que têm o ensino
secundário ou superior.
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