Diário Digital - 23 Fev 04

Violência doméstica continua a aumentar em Portugal

A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) denuncia, na edição deste sábado do jornal Público, que os casos de violência doméstica em Portugal estão a aumentar. Segundo a APAV, 13.826 (87%) dos 15.818 crimes relatados à associação no ano passado diziam respeito a situações de violência no seio da família, o que corresponde a um aumento de 17,4 por cento em relação ao ano anterior.

De acordo com o estudo divulgado na sexta-feira, na violência doméstica, «as principais vítimas são sobretudo as mulheres (91,5 por cento) entre os 36 e os 45 anos de idade (22 por cento), com escolaridade ao nível do ensino secundário (20 por cento)».  As agressões mais frequentes são os maus tratos físicos (31,3 por cento dos crimes) e psíquicos (31,2), sendo que os ataques acontecem sobretudo no seio do casal.

Segundo a APAV, algumas das vítimas «estão numa situação de inactividade económica, o que conduz necessariamente a um domínio económico do agressor», sendo «de alguma forma frequente» que este a impeça de obter um emprego fora do lar ou, por exemplo, lhe controle o vencimento.

De resto, também os menores são martirizados com agressões no seio família. Dos 1133 crimes denunciados à APAV cometidos contra 700 jovens com idades compreendidas entre os zero e os 17 anos, 941 dizem respeito a situações de violência doméstica.

Os números são semelhantes aos de 2002 e mostram também que em metade dos casos quem ataca é o próprio pai ou mãe. As raparigas são, uma vez mais, especialmente atingidas.

Na tipologia dos crimes, os maus tratos físicos são o crime o mais comum (299, ou seja, 26% do total do crimes sobre menores), seguindo-se os maus tratos psíquicos (25%) e as ameaças/coacção (13%), sendo que à APAV chegaram ainda relatos de 26 crimes de violação e 76 de abuso sexual. A faixa etária mais atingida é a dos 11-17 anos.

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