No perímetro de duas escolas Crianças alvo de tiros de pressão de ar junto a
escolas de Oeiras
Diana Ralha
Em menos de uma semana, quatro crianças foram
atingidas por chumbos de pressão de ar. Na Quinta do
Marquês estudam mil alunos
O medo instalou-se no perímetro das escolas da
Quinta do Marquês e do Conde de Oeiras, na zona de
Sassoeiros. No período de uma semana, quatro
crianças foram atingidas por disparos de armas de
pressão de ar. Os disparos ocorreram em três locais
diferentes muito próximos dos portões das duas
escolas, e um deles feriu com gravidade uma criança
que teve de ser operada no serviço de neurocirurgia
do Hospital de Santa Maria para retirar um chumbo
que estava alojado na têmpora.
Um pequeno quiosque de venda de bebidas e comidas da
Rua Sousa Martins também já foi alvo dos tiros de
pressão de ar, mas o autor dos mesmos é ainda
desconhecido. A proprietária do pequeno
estabelecimento junto às escolas explica que os
disparos devem ter ocorrido durante a noite, porque
foi um agente da polícia que a alertou para os
buracos nas paredes.
Em apenas uma semana a rotina da agitada e
barulhenta Rua Sousa Martins, onde diariamente
estudam cerca de mil estudantes, foi totalmente
alterada por causa daquilo que a maioria acha que é
"uma brincadeira de mau gosto da criançada".
Brincadeira de Carnaval ou não, foi o quanto baste
para aterrorizar miúdos e graúdos. As crianças, por
recomendação das directoras das duas escolas,
passaram a evitar andar sozinhas na rua. Muitos pais
que o PÚBLICO encontrou em frente ao portão das duas
escolas sentem-se agora na obrigação de trazer e
levar os filhos, apesar de viverem paredes meias com
os estabelecimentos de ensino.
"As crianças estão apavoradas. O meu filho mora a
dois minutos da escola, mas com o medo passou a ir
por atalhos menos frequentados", diz uma moradora do
bairro, que confessa também estar aterrorizada pela
situação do atirador que já feriu quatro crianças.
Outra mãe confessa: "Agora vou sempre levá-lo à
escola e trazê-lo para casa."
A segurança parece estar garantida durante o horário
lectivo. O PÚBLICO encontrou no local vários agentes
da PSP a vigiar o perímetro - alguns fardados e
outros à paisana -, apesar de a esquadra de Oeiras
ter manifestado surpresa e desconhecimento
relativamente à situação que se vivia no Bairro da
Quinta do Marquês a meio da manhã de ontem,
recusando-se, à tarde, a prestar quaisquer
esclarecimentos sobre a operação em curso. De acordo
com relatos de vários moradores e comerciantes, a
Polícia Judiciária também já esteve no bairro a
investigar a origem dos disparos.