Diário de Notícias -
22 Fev 07
Maioria da população pagará mais pelo saneamento
Há 246 municípios que cobram pelo serviço de
saneamento e águas residuais uma tarifa final abaixo
do valor médio que pagam aos sistemas
multimunicipais que é da ordem dos 0,42 euros por
metro cúbico, de acordo com dados de 2005. De acordo
com dados do PEAASAR II (Plano Estratégico de
Abastecimento de Água e Saneamento de Águas
Residuais) relativos a 2005, esta situação abrange
pelo menos 76% da população do Continente que, de
acordo com as novas regras tarifárias preconizadas
pelo plano agora aprovado, terá de pagar mais por
este serviço no futuro.
Segundo Pedro Serra, o preço dos serviços de água e
saneamento vai continuar a subir nos casos em que o
valor cobrado está abaixo de custo. O presidente da
Águas de Portugal, que foi coordenador do grupo de
trabalho que elaborou o PEAASAR II, adianta que
houve aumentos muito significativos no passado e que
terão de continuar a haver no futuro.
Só no caso dos serviços municipais de saneamento de
águas residuais há mais de meia centena de
municípios que não cobram tarifa, sendo que 30% da
população não paga ou paga menos 20 cêntimos por
metro cúbico pelo saneamento. Esta situação, além de
comprometer a capacidade financeiras das autarquias,
põe em causa a sustentabilidade do sistema no médio
prazo e é contrária à legislação nacional e
comunitária.
A situação é menos grave no abastecimento de água,
onde ainda assim há 44 municípios que cobram uma
tarifa média abaixo do intervalo médio fixado nos
sistemas multimunicipais. Esta percentagem abrange
cerca de 4,2% da população. Os dados do PEAASAR
revelam ainda que a operação prestada pelos serviços
municipalizados (empresas municipais) é a que cobra
tarifas mais caras, com um valor médio de 1,25 euros
por metro cúbico de água abastecida e tratada. Do
outro lado da tabela estão os serviços municipais
directamente prestados pelas próprias autarquias,
que custam em termos médios 0,89 euros por metro
cúbico.
Segundo indicou ontem o ministro do Ambiente, Nunes
Correia, a orientação política para actualizar o
preço da água vai no sentido de manter a mesma banda
tarifária entre os 0,40 e os 0,50 euros por metro
cúbico de água fornecida e tratada para os sistemas
multimunicipais. A tarifa final a cobrar pelos
municípios ou concessões em baixa (distribuição pelo
consumidor) terá de ser superior ao valor pago ao
sistema em alta para assegurar a sustentabilidade
económica do serviço e do próprio sistema.
O princípio de que o pagamento deve reflectir os
custos de investimento e exploração do sistema está
consagrado no novo modelo tarifário, cuja primeira
versão já foi apresentada pelo IRAR (Instituto
Regulador da Água e Resíduos) e que deverá estar em
condições de ser posto em prática a partir de 2008.
No entanto, a sua aplicação no que diz respeito à
actualização tarifária, garante Nunes Correia, será
gradual. Ou seja, não haverá aumentos bruscos e
significativos do preço da água. O novo quadro legal
também reforça as competências do regulador, que até
agora estava limitado às concessões municipais e
multimunicipais, a todo o sector, e dá-lhe poder
sancionatório. AS