Diário de Notícias -
21 Fev 08
Emprego
João César das Neves
Os políticos têm um dom especial para dizer coisas
sonantes e irrelevantes. O pior é quando além disso
não conseguem ser convincentes. Nesse caso perde-se
o activo mais valioso de um líder, a
credibilidade.Os números da semana passada
confirmaram que a situação laboral é grave. A taxa
de desemprego em 2007 foi de 8%, a mais alta dos
últimos 20 anos.
O senhor Primeiro-Ministro, em vez de se mostrar
preocupado e ocupado com soluções, preferiu
manifestar confiança no cumprimento da sua promessa
eleitoral de criar 150 mil novos postos de
trabalho.É verdade que desde o início desta
legislatura a economia (não o Governo) já conseguiu
aumentar em 94 mil o número de empregados do país.
Mas ao mesmo tempo apareceram 27 mil novos
desempregados. Esta situação só é possível porque a
população activa aumentou de 121 mil pessoas.
Ou seja Portugal está a criar empregos, está a criar
bastantes empregos, mas os portugueses não querem
esses postos de trabalho. Têm de vir imigrantes para
os ocupar. Este fenómeno é tão visível que nem são
precisas estatísticas para o confirmar. A promessa
eleitoral é bem provável que venha a ser cumprida,
mas isso não altera em nada a gravidade da situação
laboral nacional.
O mais surpreendente é que o senhor
Primeiro-Ministro enverede por este tipo de conversa
mole, desviando o assunto e fingindo que está tudo
bem. Essa estratégia, que já levou ao desastre
tantos dos seus antecessores, também não vai correr
bem desta vez. Com o desemprego atingindo 440 mil
pessoas não seria esperar que o Governo, ao menos,
parecesse triste?