8 de Janeiro de 2001 - Comunicado da APFN

Jovens vão casar-se a Espanha

Publicou hoje o jornal "Público" um excelente artigo em que alerta para que muitos jovens se têm casado em Espanha para "fugirem ao fisco", e responsabilizando a Concordata por tal facto.

Permita-me os seguintes comentários:

1 - A responsabilidade da situação é apenas do Estado, que penaliza fortemente quem se casa, e muito mais quem tem filhos, tanto mais quanto maior o seu número. A APFN tem vindo a alertar para esta situação totalmente injusta e disparatada, solicitando o apoio da comunicação social para se inverter rapida e decididamente este estado de coisas.

2 - Esta situação foi agravada na actual revisão fiscal, ao criar-se uma dedução para monoparentais que é quase o dobro dos casados. A dedução por casados já é bastante inferior à de solteiros e a dedução por cada filho é perfeitamente ridícula, bem inferior à que se obtem se se comprar um computador...

3 - Como é evidente, a forte penalização a que os casados são sujeitos não tem nada a ver com a Concordata, e só por mera distração se pode atribuir à existência da Concordata o facto de jovens se irem casar a Espanha. Outros, simplesmente não se casam... O que há que mudar é a totalmente disparatada política familiar (?) do Estado Português que parece ver no casamento uma ameaça à segurança nacional, tratando como idiotas os 75% de casais que teimam em não alinhar nas "modernas" e fiscalmente incentivadas tendências para a dissolução de famílias.

4 - Num país que vê aumentar o consumo de droga, a incidência de doenças sexualmente transmissíveis, da delinquência juvenil e de tantos outros fenómenos que todos reconhecem publicamente como resultado directo do enfraquecimento das famílias, é no mínimo criminoso ver o Estado, através dos seus representantes políticos, a alinharem em políticas contra a família, que leva os jovens a terem medo de se casar e os menos jovens a não honrarem o compromisso que livremente assumiram. É, no mínimo, chocante ver o ar angélico com que responsáveis políticos emitem declarações de preocupação sobre estes fenómenos quando são eles os principais, se não os únicos, responsáveis pela degradação das famílias. Tais declarações não podem deixar de ser classificadas como amostra da mais pura hipocrisia. 

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