10 de Janeiro de 2001 - Diário de Notícias

Associação denuncia "política antifamiliar"

Sócios dizem que reforma fiscal penaliza casados

A Associação Portuguesa das Famílias Numerosas (APFN) acusou ontem o Governo de estar, de forma "criminosa", a "alinhar em políticas contra a família" que levam os jovens a terem medo de casar". Em causa, a proposta de reforma fiscal que, segundo os responsáveis da APFN, penaliza fortemente a família tradicional.
Em comunicado, o presidente da associação, Fernando Castro, acusa o Governo de, na revisão fiscal em curso, agravar a situação das uniões "tradicionais". Isto, porque, acrescenta, cria "uma dedução para as famílias mono parentais que é quase o dobro da dos casados".

"A dedução por filho é já bastante inferior à dos pais solteiros e por cada descendente é perfeitamente ridícula, bem inferior à que se obtém se se comprar um computador...", refere Fernando Castro.

"O que há a mudar é a totalmente disparatada política familiar do Estado português, que parece ver no casamento uma ameaça à segurança social portuguesa, tratando como idiotas os 75 por cento de casais que teimam em não alinhar nas modernas e fiscalmente incentivadas tendências para a dissolução de famílias", afirma o comunicado da associação.

Segundo o seu site na Internet, a Associação Portuguesa das Famílias Numerosas, no endereço www.apfn.loveslive.com, representa 627 sócios. Só podem ser membros os casais que tenham três ou mais filhos.

Assumindo-se como defensora do direito à vida "desde o momento da concepção", a associação afirma acreditar nos "valores da família".

O site adianta que a associação nasceu porque um grupo de pessoas com crianças sentiu a falta de apoio das famílias numerosas. Por isso, orgulham-se da média de filhos por casal associado ser de 4,3. Recorde-se que a média de filhos por casal a nível nacional se fica pelos 1,4 filhos.

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