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Expresso - 27 de Janeiro
Uma profissão de alto risco
A ANSIEDADE, as enxaquecas, a fobia aos alunos e à escola são os principais sintomas de depressão num professor. Daí ao recurso aos antidepressivos ou à ida a um psicólogo ou psiquiatra vai um passo. Susana Brito frequenta as consultas de um psiquiatra desde há mais de ano e meio.
Os problemas começaram quando os alunos da escola onde leccionava lhe fizeram a vida negra. Primeiro perdeu o controlo da turma e depois começou a receber ameaças de alguns estudantes. Furaram-lhe um pneu do carro e, de seguida, riscaram-no com um prego. A sua esperança terminou quando foi esbofeteada por um aluno em plena sala de aula. Susana atingiu o limite. Começou a sentir medo de ir à escola e acabou por deixar a profissão. Actualmente trabalha numa editora e diz não se arrepender de desistir do seu sonho de infância.
O caso da Susana não é único. Segundo dados do Ministério da Educação, nos últimos dois anos um professor por semana foi agredido por alunos ou encarregados de educação. Às agressões juntam-se «as ameaça, as injúrias e a falta de respeito, traduzida em gestos e palavras, que frequentemente ouvimos por parte de alunos e de mães que julgam que os problemas se resolvem com a força», diz uma professora da escola EB 2, Pedro Ourém da Cunha, no concelho da Amadora. Estas dificuldades já levaram os professores a solicitar ao Governo um subsídio de risco. Os primeiros a exigi-lo são os que se encontram sob a tutela do Instituto de Reinserção social. Estes docentes reivindicaram um complemento remuneratório igual ao dos funcionários dos estabelecimentos prisionais.
O EXPRESSO seleccionou, aleatoriamente, 24 escolas da Grande Lisboa e perguntou aos seus dirigentes se tinham casos de professores com atestado médico. Todas responderam que sim. E que muitos dos seus docentes frequentavam consultórios de psicólogos ou psiquiatras.
Os pedidos de redução da componente lectiva, que permitem ao professor dedicar-se a outras actividades escolares sem ser o ensino - estar, por exemplo na biblioteca - são prática corrente nestas escolas. A opção da reforma antecipada também é considerada frequente e muitas vezes a única solução encontrada pelos professores, que já não conseguem resolver os diferendos.
Alfredo Frade, psiquiatra, recebe no seu consultório particular ou nas consultas que dá nas instalações da Fenprof (Federação Nacional de Professores), em Lisboa, dezenas de casos de professores com quebra de auto-estima, desautorizados e sem soluções para lidar com os problemas.
«Embora considere esta profissão como sendo de risco, tenho relutância em dizer que os professores têm uma doença profissional, apesar do número elevadíssimo de baixas psiquiátricas que por aí há», afirma. «Muitos vivem situações de bloqueio e não sabem como resolver os conflitos. Para alguns a solução é desistir».
C.S.S.
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