Expresso - 27 de Janeiro

Um mal urbano 

OS ACTOS de criminalidade no interior das escolas das áreas urbanas registaram no ano passado um aumento face a 1999. Em 2000 foram apreendidas 15 armas de fogo (12 em 1999), 88 armas brancas (contra 51) e houve 103 vítimas que tiveram de receber tratamento hospitalar (60 no ano anterior). Por outro lado, vulgarizaram-se os incidentes protagonizados por grupos: 343 (quase um por dia), contra 210 em 1999.

Mas a delinquência teve um acréscimo muito maior se recuarmos a 1996, quando, curiosamente, o PS cumpriu o primeiro ano no Executivo - apesar do reforço policial que nos últimos tempos tem sido feito junto das escolas localizadas em zonas mais problemáticas, e que se estende ao interior dos recintos escolares. 

Assim, comparando os dados relativos a 2000, recolhidos pelo EXPRESSO junto de fontes policiais, com as estatísticas oficiais dos anos anteriores, triplicaram os casos de pessoas que foram tratadas nos hospitais (103 contra 36), quadruplicaram as armas de fogo apreendidas (15 contra 4), quase sextuplicaram as ocorrências em que estiveram envolvidos grupos (343 contra 62) e o número de armas brancas detectadas foi onze vezes superior (88 contra 8).

Num aspecto particular, a maior subida verifica-se nos delitos praticados por raparigas: 97 no ano passado contra 81 no ano anterior e apenas sete em 1996. Ou seja, quase 14 vezes mais. 

Os dados oficiais até 1999 mostram que o nível etário dos autores dos delitos tem baixado e que os alunos são ao mesmo tempo autores e vítimas da delinquência. Um inquérito das inspecções-gerais das Finanças, Administração Interna e Educação a 68 escolas de Lisboa e Porto do ensino público (98/99) mostram que 60% dos alunos vítimas de roubo foram assaltados por alunos da própria escola e, na maioria, lá dentro; e que 80% dos casos de agressão se dão na escola e em 76% o agressor é um aluno do estabelecimento. 

A maioria dos alunos afirmam sentir-se «seguros» na sala de aula (77%). No recreio, só 51% dos alunos se sentem seguros. Quase metade (48%) desconhece se o Programa Escola Segura está a funcionar na sua escola, embora 63% tenham ouvido falar dele, 18% já tenham presenciado uma acção de segurança na escola e 14% tenham recebido informação sobre segurança. 

A.H./C.S.S.

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