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Ecclesia - 21 de Janeiro O
Estado deve financiar o ensino privado
Movimento Cívico de Pais e Encarregados de Educação
Filipe R. Lucena
Os contratos de associação que as escolas privadas fazem com o Estado
estão ameaçados. A denúncia é feita pelo Presidente do Movimento Cívico
de Pais e Encarregados de Educação, que promoveu dia 19 de Janeiro, no
Calvão, diocese de Aveiro, o seu III Encontro Anual, desta feita
subordinado ao tema Direito a optar por um projecto educativo. Entre
várias conferências e mesas redondas, a que assistiram mais de 300
participantes, reinou a unanimidade quanto ao papel do Estado e da
iniciativa privada na educação.
O Estado e as escolas privadas estabelecem contratos de associação para
garantir o apoio financeiro do primeiro às segundas, possibilitando a
gratuidade do ensino, explicou, à Agência ECCLESIA, João Pedro Magalhães
Crespo, frisando que a ameaça a estes contratos está presente na redução
que o Ministério da Educação tem imposto às escolas privadas quanto ao
número de alunos que estas podem ter com financiamento. Caso as
instituições privadas de ensino ultrapassem esse número então devem ser as
próprias a arcar com os encargos.
Não venham com a história de que temos de pagar o ensino particular,
afirmou João Pedro Magalhães Crespo, desafiando para que se façam as
contas entre quanto custa ao Estado cada aluno, no ensino particular, ao
abrigo dos contratos de associação, e quanto custa cada aluno da máquina
estatizante e pesada do Ministério da Educação. Além de o Estado ter, por
aluno, um custo menor no ensino privado, salientou ainda que apenas faz
sentido o Estado complementar onde não há iniciativa privada pois onde
existe tem que apoiar, senão pagamos duas vezes o ensino; através dos
nossos impostos, para as escolas estatais, acrescidos da quota do
privado. A liberdade está também por isso ameaçada, pois essa só existe,
explicou João Pedro Magalhães Crespo, quando puder escolher para o meu
filho o que quiser e quando quiser.
Constatando que existem, cada vez mais enraizadas, ofertas alternativas
ao modelo único e estatizante de educação e que as escolas privadas são
cada vez mais procuradas, o Presidente do Movimento Cívico de Pais e
Encarregados de Educação interpreta as restrições de financiamento dos
contratos de associação como medo do Estado em perder alunos... e então
constrói cada vez mais escolas e gasta cada vez mais dinheiro do erário
público. João Pedro Magalhães Crespo esclareceu que não estamos em
concorrência, nem em guerra, frisando, no entanto, que a verdadeira
democracia e liberdade são construídas com a participação da sociedade.
O Movimento Cívico de Pais e Encarregados de Educação pretende assim que
o Estado promova, progressivamente, o acesso às escolas particulares, em
condições de igualdade com as públicas, propondo-se para isso mobilizar
para a tomada de consciência dos direitos fundamentais de cada um, (...)
manter contacto assíduo com a comunicação social para divulgação e defesa
desses direitos (...) e criar, nas escolas, grupos de pais e encarregados
de educação que promovam a participação de todos na defesa destes
direitos.
Intervieram neste encontro João Carlos Espada (Director do Instituto de
Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa - UCP), Manuel Braga
da Cruz (Reitor da UCP), António Sousa Franco (Presidente do Conselho
Directivo da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa) e Mário Pinto
(Director da Faculdade de Ciências Humanas da UCP).
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