Público - 10 de JaneiroGeorge W. Bush Assina
Reforma do Sistema Educativo Norte-americano
Por ISABEL LEIRIA
Sob o lema "Nenhuma criança ficará para trás", entra em vigor o
programa mais ambicioso dos últimos 35 anos
Depois de republicanos e democratas se terem posto de acordo quanto ao
programa de alterações proposto por George W. Bush, o Presidente dos
Estados Unidos assinou anteontem formalmente aquela que é já considerada a
maior reforma educativa desde 1965, ano em que o antigo dirigente Lyndon
Jonhson aprovou a "Legislação do Ensino Básico e Secundário". Mais
dinheiro para investir na educação, melhores escolas e mais ajuda aos
alunos desfavorecidos são alguns dos pontos-chave do pacto legislativo,
que tem como lema: "Nenhuma criança ficará para trás".
A Escola Secundária de Hamilton, no estado do Ohio, foi o local
escolhido para a assinatura do diploma. Uma escolha simbolicamente
importante, frisou Bush durante a cerimónia, assistida por centenas de
estudantes eufóricos, pais e professores: "Decidi assinar esta legislação
num dos locais mais importantes da América: uma escola pública. Este é uma
boa lei para as crianças e jovens da América e tenho orgulho em assiná-la
na sua presença", afirmou o Presidente dos Estados Unidos, citado pela
Reuters.
Ao todo, são cerca de 29 mil milhões de euros (26,5 mil milhões de
dólares) que passam a estar agora disponíveis para investir na educação,
do pré-escolar ao ensino superior. Os alunos mais carenciados e as escolas
com piores desempenhos serão os principais destinatários do investimento.
Tudo para que diminua o fosso, particularmente evidente na sociedade
americana, entre os conhecimentos obtidos pelos alunos de menores recursos
e os estudantes oriundos das classes altas. "O princípio fundamental desta
legislação é cada criança poder aprender. Esperamos que cada uma o faça e
precisamos de saber se isso está ou não a acontecer", salientou Bush, que,
durante a campanha eleitoral, elegeu a educação como uma das prioridades
do seu mandato.
Informações sobre o desempenho da escola
Mas o dinheiro a ser investido não o será a fundo perdido. É que se,
por exemplo, os estabelecimentos de ensino continuarem a apresentar maus
resultados, mesmo depois de terem recebido a ajuda do Estado, poderão ser
fortemente sancionados, designadamente com a substituição do pessoal
docente. Quanto aos alunos, se não quiserem frequentar uma determinada
escola, vão ter a possibilidade de pedir transferência para outra
instituição pública, receber acompanhamento de um tutor ou solicitar
outros serviços de apoio, como programas especiais de Verão.
Simultaneamente, os pais passam a receber mais informações acerca do
desempenho da escola frequentada pelos seus filhos.
Outras novidades introduzidas por esta reforma prendem-se com a criação
de testes anuais de matemática e leitura, a nível estadual, destinados a
todos os alunos do 3º ao 8º ano, de forma a que se possa analisar a sua
evolução. Um outro tipo de provas, realizadas por pequenas amostras de
estudantes, ajudarão a avaliar o desempenho dos estabelecimentos de
ensino. Quanto aos professores, a aposta incide sobre a sua qualificação:
dentro de quatro anos, os estados terão de mostrar que todos os docentes
que dão aulas têm as habilitações exigidas para fazê-lo. As autoridades
estaduais passam, aliás, a dispor de uma maior autonomia para gerir os
fundos destinados à educação.
Durante a cerimónia de anteontem, o Presidente norte-americano não
esqueceu o apoio dos democratas da oposição, sem os quais a legislação
nunca teria passado, quer na Câmara dos Representantes, quer no Senado.
"Conseguimos isto porque os congressistas, embora leais aos seus partidos,
decidiram por a política partidária de lado e centraram-se no que
interessa à América".