Público - 26 Jan 06
Escolas públicas com mais
cursos profissionais
A Secundária Marquês de Pombal, em Lisboa, vai ser uma das primeiras escolas
públicas a oferecer nas suas instalações cursos predominantemente orientados
para a integração no mercado de trabalho e geridos pelo Instituto de Emprego e
Formação Profissional (IEFP).
Aumentar a qualificação da população, tentando diminuir os actuais níveis de
abandono escolar precoce e, ao mesmo tempo, trazendo de volta à escola quem não
completou os estudos é o principal objectivo desta iniciativa conjunta dos
ministérios da Educação e do Trabalho e inscrita no programa Novas
Oportunidades. O caminho para lá chegar, acredita o Governo, passa pela
diversificação das ofertas de ensino nas escolas.
Na prática, a partir do próximo ano lectivo, a Marquês de Pombal, que viu a sua
população diminuir de três mil alunos para os cerca de 400 que a frequentam
actualmente, vai oferecer no seu espaço cursos gerais do ensino básico, do
ensino recorrente e ainda cursos mais profissionalizantes, como os tecnológicos,
de educação e formação e profissionais, tentando assim dar respostas adequadas
às diferentes expectativas dos jovens.
Era já essa a ideia do governo de Durão Barroso quando, em 2004, foi assinado um
protocolo entre a Marquês de Pombal, o Ministério da Educação (ME), o IEFP e a
Associação Industrial Portuguesa. Mas o projecto para a requalificação da
escola, e do ensino técnico-profissional em geral, não chegou a sair do papel.
O protocolo ontem assinado entre o IEFP e a Direcção Regional de Educação de
Lisboa volta a prever que os cursos profissionais do IEFP, dirigidos a toda a
população, sejam ministrados nas instalações cedidas pela Marquês de Pombal.
Para além do Centro de Formação Profissional para Jornalistas (Cenjor),
funcionarão na escola outros cursos na área dos serviços.
Uma outra escola de Lisboa - a Fonseca de Benevides é uma das hipóteses -, a
Rainha Santa Isabel, em Estremoz, e uma secundária do Porto (Oliveira Martins ou
Infante D. Henrique) irão igualmente receber cursos do IEFP.
O ME promete um investimento de 12 milhões de euros para o apetrechamento das
escolas que recebam estas formações em 2006/2007.
Até 2010, o Governo espera ter metade dos jovens inscritos em formações
técnico-profissionais (certificam estudos e qualificam para uma profissão), tal
como acontece em média nos países na OCDE. Em 2003, mais de 70 por cento tinham
optado por cursos gerais. Isabel Leiria