Diário de Notícias - 04
Jan 07
Campanha custa dez milhões
O referendo sobre o aborto, a 11 de Fevereiro, vai
custar cerca de dez milhões de euros, disse hoje à
Lusa Jorge Miguéis , director do Secretariado
Técnico dos Assuntos para o Processo Eleitoral (STAPE
).
"Este é um valor indicativo e é normal num acto
eleitoral deste tipo. Se pudermos gastar menos,
gastamos", disse Jorge Miguéis à Lusa.
Quatro milhões de euros serão gastos no pagamento
aos membros das mesas e outro tanto com as despesas
dos tempos de antenas dos movimentos e dos partidos
políticos, a favor ou contra, que vão participar no
referendo, acrescentou.
Os restantes dois milhões de euros serão gastos
noutras despesas, por exemplo, com a impressão de
boletins.
De acordo com a Lei Orgânica do Regime do Referendo,
e depois das dificuldades na constituição de mesas
nos referendos de 1998 (aborto e regionalização ),
cada membro passa a receber 71,65 euros.
A segunda consulta sobre a despenalização do aborto
- o primeiro referendo foi em 1998 e ganhou o "não",
apesar de o resultado não ter sido vinculativo - foi
convocada pelo Presidente da República, Cavaco
Silva, a 29 de Novembro de 2006.
"Concorda com a despenalização da interrupção
voluntária da gravidez, s e realizada, por opção da
mulher, nas primeiras dez semanas, em
estabelecimento d e saúde legalmente autorizado?", é
a pergunta aprovada, igual à do referendo de 1998. A
campanha para o referendo vai decorrer entre 30 de
Janeiro e 9 de Fevereiro.
'Não' reúne-se no Porto
Entretanto, a pré-campanha para o referendo do
próximo mês continua, e representantes dos cerca de
20 movimentos pelo "não" ao aborto, em constituição
em Portugal, reúnem-se este fim-de-semana, no Porto,
para articularem acções para o referendo, revelou
fonte ligada à iniciativa.
Segundo disse à Lusa Eduardo Fernandes, do movimento
de Bragança Nordeste pela Vida, o encontro decorrerá
no fim-de-semana "de certeza", faltando ainda
definir se no sábado ou no domingo, conforme a
disponibilidade de alguns representantes daqueles
movimentos. De acordo com Fernandes, a iniciativa
irá juntar 18 a 20 movimentos pelo "não" de todo o
País, incluindo dos Açores e da Madeira. "A ideia é
falarmos a uma só voz", afirmou. Sustentou também
que o encontro vai servir para serem articuladas
acções para a campanha do referendo, marcado para 11
de Fevereiro. Eduardo Fernandes sublinhou que o
propósito destes movimentos "não é atacar ninguém,
mas fazer campanha pela positiva".
Segundo referiu, alguns destes movimentos têm já as
cinco mil assinaturas necessárias para a sua
oficialização.