SIC - 04 Jan
07
Referendo ao aborto
Ministro da Saúde explicou à SIC o que pode mudar
após a consulta popular
O ministro da Saúde revelou
à SIC o que poderá mudar após o referendo ao aborto. Cada
intervenção poderá custar ao Estado entre 350 e 700 euros. Além
disso, os hospitais do Serviço Nacional de Saúde serão obrigados a
realizar abortos a pedido da mulher se o sim ganhar o referendo em
Fevereiro.
Se o sim ganhar no próximo dia
11 de Fevereiro, as interrupções voluntárias de gravidez serão
tratadas como qualquer outro acto médico e os hospitais públicos com
serviço de ginecologia e obstetrícia vão ter de as fazer.
A ideia não é nova. Em França, os hospitais criaram unidades
funcionais só para praticar abortos. Em Portugal poderá acontecer o
mesmo. Ou, então, as direcções hospitalares terão de encaminhar as
mulheres para o sector privado. Será o orçamento do hospital a pagar
os custos.
É, aliás, o que já acontece com as interrupções de gravidez
permitidas pela lei actual. O procedimento obriga uma resolução da
Assembleia da República.
Correia de Campos ainda não sabe quanto irá gastar o Ministério da
Saúde se o sim ganhar o referendo, mas já fez contas a quanto poderá
custar cada uma das interrupções de gravidez feitas nos hospitais
públicos. Diz o ministro que é possível que os preços variem entre
350 e 700 euros.
Para chegar a estes valores, o ministro teve como base os custos do
aborto nos hospitais espanhóis. Até porque, foi à lei espanhola que
Correia de Campos foi buscar muitas das suas intenções. Por exemplo,
as mulheres que não quiserem ser identificadas não poderão ser
atendidas nos hospitais do Estado.
Esta é uma das razões que leva Correia de Campos a admitir que a
maioria das interrupções de gravidez seja feita por privadas e só
uma pequena parte nos hospitais públicos.