Expresso- 07
Jan 07
Os filhos e os sarilhos
Na Alemanha iniciou-se o programa ‘dinheiro por
filhos’. Terá sucesso, ou não passará de mais uma
tentativa vã para inverter o declínio demográfico da
Europa?
Houve tempos, na Europa, em que
os filhos eram um importante factor económico -
braços para o trabalho no campo ou para ajudar um
artesão na oficina. Esses tempos passaram. Hoje, os
filhos surgem a muitos casais como empecilhos nas
carreiras, nas noitadas, nas férias e nos
rendimentos. O velho provérbio ‘‘Quem tem filhos tem
cadilhos’’, ou seja, tem aflições e inquietudes,
tornou-se, progressivamente em ‘‘Quem tem filhos tem
sarilhos’’ porque no sistema de vida europeu e
ocidental os filhos são, realmente, um sarilho.
Ao oferecerem 67 por cento do salário líquido de uma
mulher (até 1800 euros/mês, durante um ano, com os
respectivos subsídios de Natal e férias), mantendo
os vínculos laborais, os alemães trocam
competitividade por maternidade. A ideia não é nova,
uma vez que em diversos países europeus existiam já
diversos incentivos ao nascimento. O problema é que
nem sempre tem funcionado bem. O desenvolvimento
parece acarretar, como maldição, a baixa de
natalidade, fenómeno que - imagine-se! - começa já a
atingir a China, que ainda há poucos anos
implementou a limitação do número de filhos.
Em Portugal, como demasiadas vezes acontece, vamos
bastante atrasados nesta matéria. A natalidade é
decrescente, mas as vantagens de ter filhos quase
não existem. Às mães, nomeadamente às jovens mães
que acabam de ter o primeiro emprego, poucas ou
nenhumas condições são dadas e as poucas que se
tomaram não passam de paliativos, como a baixa do
imposto sobre as fraldas de 21 para cinco por cento
- grande ajuda!
É possível que a tendência seja inelutável. Mas
antes de nos entregarmos à fatalidade da extinção
poderíamos, a exemplo dos alemães, ensaiar um
conjunto de medidas que favoreçam a maternidade.
Desde logo nos impostos e nas condições de vida e de
trabalho dos casais mais jovens.
Zapatero e o terror
A ideia de negociar com a ETA já era, em si,
duvidosa. Mas o presidente do Governo espanhol
levou-a avante, contra ventos e marés. O problema
foi descobrir-se que andava a negociar com a ETA
errada - não com o sector radical, bombista e
terrorista do País Basco, mas com um facção mais
cinicamente política. Agora, resta-lhe reconhecer
que quando se negoceia com bandidos se pode acabar
enganado.
Com a corda ao pescoço
Um dos grandes problemas da pena de morte é o facto
de humanizar o sentenciado. No arrepiante lugar do
cadafalso nenhum crime é suficientemente grande para
justificar a desumanidade da Justiça.
Não há pena que Saddam não merecesse, excepto esta,
que é bruta, selvagem e impiedosa.
A morte de um tirano revolta-nos - não por ele ter
morrido, mas por ter sido morto.