Portugal Diário - 08
Jan 07
75 por cento dos idosos agredidos
Há um caso de violência de três em três dias.
Número de queixas aumentou 60 por cento em 2006.
Homens são os principais agressores. Mulheres
praticam sobretudo «violência psicológica»
O número de queixas de violência
doméstica a idosos aumentou quase 60 por cento em
2006, registando em média uma agressão de três em
três dias, revelam dados do «Núcleo Mulher e Menor»,
um projecto da GNR que estuda também episódios de
violência cometidos com vítimas específicas, como
idosos ou deficientes, divulgados pela TSF.
Um estudo da Universidade do Minho, revela ainda que
três em cada quatro idosos confessa-se vítima de
maus tratos ou de outro tipo de negligência.
A GNR abriu 139 inquéritos por maus-tratos a idosos,
entre Janeiro e Novembro de 2006, ao passo que
durante todos o ano de 2005, o número de queixas não
ultrapassou as 82. Bragança e Almada foram as
localidades em que se registou maior aumento de
casos.
Em declarações à TSF, o Chefe da Brigada de
Investigação Criminal da GNR, Albano Pereira,
lamentou que só os casos mais graves cheguem a ser
conhecidos e adiantou que, em «cerca de 85 por cento
das situações registadas, os ofensores são homens».
«Quando os ofensores são mulheres» são utilizadas
«formas mais subtis de violência», tendencialmente
«violência psicológica», avançou Albano Pereira,
acrescentando que, sendo este um tipo de crime
difícil de provar, é complicado «obterem-se
condenações»
Segundo um estudo da Universidade do Minho, da
autoria de José Ferreira Alves, existem factores de
risco entre os idosos potenciais vitimas de
maus-tratos, como o facto de ser mulher, ter pouca
escolaridade, ser viúva, ter mais de 80 anos e viver
com os filhos.
De acordo com dados recolhidos junto de uma centena
de idosos, em três centros de dia de Braga, três em
cada quatro confessaram-se vítimas de maus tratos,
negligência, abuso emocional e exploração
financeira.