Público - 13
Jan 07
Sempre pela vida
Cláudio Anaia
Esteja onde estiver, exerça os cargos que exercer,
pugnarei sempre pelo dom mais importante de todos: a
vida
Já vivemos numa sociedade burocrata. Nas empresas,
existem os burocratas e, agora, parece que existem
por aí os políticos "sexocratas".
Explico: o que está em voga e o que é, hoje em dia,
politicamente correcto discutir, principalmente
pelos nossos políticos, são assuntos que têm a ver
com causas ditas fracturantes, isto é, questões de
valores que dividem a sociedade. Os nossos órgãos de
comunicação social não se cansam de falar nas uniões
de facto entre homossexuais (nalguns casos até com
direito a adopção), na pílula do dia seguinte
(leia-se pílula abortiva) e agora ultimamente com
repetição através de referendo sobre o aborto ou,
como costumam dizer mais "adocicadamente",
interrupção voluntária da gravidez. Será que os
problemas da educação, da saúde, do primeiro
emprego, da habitação não serão assuntos muito mais
importantes - que não dividem mas unem as pessoas -
e que nos deverão preocupar como cidadãos
portugueses?
Parece que não! O que importa - como se fosse a
prioridade das prioridades - são essas questões
chamadas "fracturantes", como o aborto. No congresso
do meu partido, em que fui delegado, esse assunto
voltou a estar na ordem do dia e dominou a
actualidade política através de varias moções
globais. Por vezes, fico com a sensação de que
parece ser usado como manobra para desviar a nossa
atenção daquelas que são verdadeiras causas da
esquerda.
Mas o que me entristece em tudo isto é que as
pessoas falam do aborto como se fosse uma questão de
política partidária, e esquecem-se que o que está em
causa é a vida, uma vida única, irrepetível e que
deve ser respeitada.
Mais uma vez aqui deixo e reafirmo as convicções que
me levam a dizer "não" ao aborto:
- A morte nunca foi solução nem resposta para nada;
- Não posso concordar que exista o aborto livre, a
simples pedido da mãe. Isto é, que, até às dez
semanas, um ser humano fique sem qualquer protecção
legal;
- Defendo que tem de se valorizar a maternidade,
promovendo redes de solidariedade social que
ofereçam alternativas concretas às mulheres grávidas
em situação difícil;
- O aborto não se combate legalizando, mas sim
criando verdadeiras alternativas solidárias: uma
educação sexual esclarecida, um planeamento familiar
sério e uma aposta decidida na prevenção;
- Ao contrário do que se diz por aí, este assunto
não diz só respeito às mulheres. O pai tem um papel
fundamental. Não pode nem deve demitir-se das
responsabilidades, muito menos ser excluído por
terceiros.
Amigos e pessoas do meu partido com
responsabilidades políticas já me aconselharam,
muitas vezes, a não falar nestas matérias porque
"estava a queimar-me", mas respondo da mesma forma
que acabo este meu texto: esteja onde estiver,
exerça os cargos que exercer, pugnarei sempre pela
vida! Dirigente do Partido Socialista