Portugal Diário -
21
Jan 07
As razões do «não» de Marques Mendes
Aborto: «O mal combate-se, não se legaliza», defende
líder do PSD
O líder do PSD, Luís Marques Mendes, alerta hoje
para as «consequências graves» que terá a
despenalização do aborto, considerando que se irá
tornar num «mecanismo de desresponsabilização
social» e traduzirá «um sinal de facilitismo»,
noticia a Lusa.
Num artigo de opinião publicado na edição de hoje do
Correio da Manhã intitulado «As razões do meu não»,
Marques Mendes justifica porque irá votar «não» no
referendo de 11 de Fevereiro argumentando que o
aborto provocado, fora os casos previstos na lei
actual, é «um acto arbitrário e injustificado que
destrói um ser humano».
«Para mim, a liberalização do aborto pode ter
consequências graves. Promovendo-a, ela torna-se,
como sublinhou um deputado do PS no debate de 1997,
«um mecanismo de desresponsabilização social.
Consagrando-a, ela traduzirá um sinal de facilidade,
não uma ideia de responsabilidade», diz o líder
social-democrata.
O PSD não tem uma posição formal para o referendo
sobre o aborto por entender que se trata de uma
matéria da consciência de cada um.
Apesar disso, Marques Mendes anunciou logo em
Dezembro que iria votar «não», tendo agora escrito
este artigo de opinião para explicar porque é contra
a despenalização da interrupção voluntária da
gravidez. A solução, defende o líder do PSD, deverá
passar pelo incentivo à natalidade, pois, caso
contrário, «estamos a promover o aborto, instrumento
de destruição de uma nova vida».
O «problema social» do aborto clandestino é
igualmente abordado por Marques Mendes no seu artigo
de opinião, que defende o seu combate com «medidas
enérgicas, sociais, educativas e económicas», como o
planeamento familiar, a educação sexual dos jovens
ou o incentivo à adopção.
«Não desconheço que, nesta matéria, todos os
Governos têm prometido muito e realizado pouco. Mas,
fora essa responsabilidade que todos devemos
partilhar, a questão central é esta: numa correcta
hierarquia de valores, a escolha só pode ser
defender a vida, destruí-la», sublinha, insistindo
que «o mal combate-se, não se legaliza».