A Associação Portuguesa das
Famílias Numerosas vai apresentar no próxim o sábado
o Programa Cálculo de Projecções de População
Residente (CPPR), elabora do em colaboração com dois
docentes da Universidade Nova de Lisboa (UNL), cujos
resultados estão em linha com o calculado pelo
Instituto Nacional de Estatística (INE) e Eurostat,
afirmam os promotores da iniciativa.
No mais provável dos cenários
(Cenário Base), espera-se uma "forte eros ão da base
da pirâmide etária portuguesa", com um decréscimo
acentuado da taxa d e natalidade, menos 40 por cento
de crianças em idade de entrar no ensino obriga
tório, menos 30 por cento de jovens com 18 anos e
uma redução de 60 por cento no número de jovens com
21 anos, idade para entrar no mercado de trabalho.
Assim, traduzindo para números
concretos, a população atinge a idade mé dia de 49
anos em 2050, contando com 75 mil crianças de seis
anos (actualmente s ão 115 mil), 85 mil jovens de 18
anos (hoje em dia são 120 mil) e 95 mil com 21 anos
(contra os actuais 160 mil).
A APFN utilizou ainda para o
estudo mais três cenários, menos prováveis do que
este: Cenário Natural, Cenário Ideal e Cenário
Baixo.
Tanto o Cenário Base como o Baixo
apontam para um aumento da população mais velha: o
número de idosos por cada 100 jovens passa dos
actuais 115 para 27 5.
Deste modo, a pirâmide etária
obtida no Cenário Baixo também deixa de t er a
figura geométrica, uma vez que se verifica
igualmente uma forte erosão da b ase.
A população atingirá a idade
média de 51 anos e as crianças com idade d e
ingressar no primeiro ciclo do ensino básico não
serão mais do que 58 mil, a p ar de uma descida para
70 mil do número de jovens com 18 anos e para 85 mil
(cer ca de metade do actual) de jovens a entrar no
mercado de trabalho.
Mais optimistas, os cenários
Natural e Ideal apontam para 41 e 42 anos de idade
média, com tendência de redução no final do período
analisado.
No cenário Natural, calcula-se em
150 mil as crianças que em 2050 terão seis anos e em
135 mil as que vão ter 18 anos, números que sobem
até quase 180 mil e 150 mil, respectivamente, no
cenário Ideal.
Nestes cenários, em ambos os
casos, os números sobem face aos actuais.
Com idade para ingressar no
mercado de trabalho, calcula-se para as hip óteses
Natural e Ideal que sejam 140 e 150 mil,
respectivamente, valores que em todo o caso
continuam abaixo dos actuais 160 mil.
A taxa de natalidade é sempre
decrescente nos Cenários Base (de 1,1 por cento para
0,7 por cento) e Baixo (de 1,1 por cento para 0,5
por cento), e sobe ligeiramente, embora com uma
forte ondulação, nos cenários Natural (para 1,2 po r
cento) e Ideal (para 1,4 por cento).
Para este estudo, a APFN utilizou
os valores de emigração observados em 2005, com a
evolução prevista pelo INE para 2050 e o Índice
Sintético de Natali dade (ISN).
As variações verificadas nos
diferentes cenários foram dadas pelo ISN, que foi
mantido constante (1,40) para os cálculos do cenário
Base e aumentado at é 2,1 (número médio de filhos
desejados de acordo com o último "Inquérito à Famí
lia e Fecundidade" efectuado pelo INE) para o
cenário Natural.
Para os cálculos do Cenário
Ideal, subiu-se para 2,5 o ISN, sendo que a APFN
salvaguarda que "esta hipótese é puramente académica
para se mostrar os ef eitos de uma taxa de
natalidade superior a 2,1, nomeadamente na travagem
do enve lhecimento da população".
Finalmente, no Cenário Baixo o
ISN reduz 0,3 em 50 anos, dos actuais 1, 4 para 1,1.
Para desenvolver este estudo foi
utilizado um novo software que permite a qualquer
pessoa realizar cálculos de projecção até 100 anos
da população port uguesa, bastando para tal inserir
as variáveis do Índice Sintético de Natalidade e do
movimento migratório previstas.
Este novo programa de Cálculo de
Projecções de População Residente poss ui como base
de funcionamento a pirâmide etária de 2004, o modelo
de mortalidade em Portugal desenvolvido pelos dois
docentes da UNL, um aumento previsto da esp erança
média de vida de um ano a cada cinco anos e a taxa
média de natalidade po r mulher em idade fértil
observada nos últimos anos.
Todos estes dados e o programa
informático que permitiu realizar o estu do vão ser
publicamente apresentados no dia 27 de Janeiro, em
Lisboa, durante o seminário "Inverno Demográfico.
Que respostas?".