Diário Digital -
23
Jan 07
Movimento «não»: Portugal é 3º melhor país para
se nascer
Um movimento anti-aborto apresentou esta terça-feira
uma tabela, com base numa fórmula criada por um
professor da Universidade do Minho, segundo a qual
Portugal é, actualmente, o terceiro melhor país do
mundo para nascer.
Caso o «sim» vencesse o referendo sobre a
Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG) de 11 de
Fevereiro, o país cairia sete lugares no «ranking»,
para décimo, de acordo com a aplicação da fórmula do
engenheiro e docente na área das telecomunicações
Luís Botelho Ribeiro, mandatário do grupo cívico
«Minho com vida».
A equação que produz este resultado - e revela que
Portugal, com a actual lei, só tem à frente a
Irlanda e a Suíça - tem em conta dez factores como
as taxas de aborto e fertilidade, a mortalidade
materna, as razões sócio-económicas e a
possibilidade de no país se poder fazer aborto «a
pedido» ou não.
O estudo foi apresentado numa conferência de
Imprensa promovida pela Associação «Juntos pela
Vida», que utilizou os dados obtidos para sustentar
que «o aborto legal e livre é um retrocesso
civilizacional», de acordo com o mandatário do
movimento, António Pinheiro Torres, ex-deputado à
Assembleia da República eleito como independente
pelo PSD.
A ideia que originou a tabela apresentada foi
desenvolvida a partir de um conceito do professor
Agostinho da Silva, segundo a qual «toda a gente
escolhe o lugar onde nasce», propondo-se o seu autor
determinar qual a classificação possível dos
diferentes países.
As conclusões do trabalho de Luís Botelho Ribeiro
foram obtidas com base em dados das Nações Unidas
reunidos em 1999, excluindo os elementos referentes
a Portugal, que são de 2005.
Admitindo que o resultado a que chegou é polémico, o
docente universitário disse à agência Lusa que,
embora apoiante do «Não» na consulta popular de
Fevereiro, fez uma «análise o mais possível
objectiva».
Salvaguardou que se trata de uma «primeira
aproximação» a um resultado que conta apurar e
desenvolver.
E, apesar das críticas que poderá ouvir, considera
que com o seu trabalho «é possível ser um bocado
mais racional» no debate sobre a questão da
legalização do aborto, indo «para além do ruído» e
tentando «objectivar numa questão destas».
Diário Digital / Lusa