Qual a idade ideal para a reforma?
Os portugueses que ainda trabalham defendem que a
idade ideal para a reforma são os 58 anos. Entre os
europeus inquiridos para o estudo só os alemães
ultrapassam essa idade e referem como idade ideal os
59 anos. Mas os portugueses empregados estão
convencidos de que só poderão reformar-se aos 64
anos (expectativa mais longínqua entre os
inquiridos: mais um ano do que os espanhóis e
alemães).
Por que é que as pessoas se reformam mais cedo?
Os 54 por cento de inquiridos portugueses que
declararam ter-se aposentado antes dos 65 anos
fizeram-no voluntariamente na maioria dos casos (70
por cento). Aos outros 30 por cento a reforma foi
"imposta pelo patrão". O carácter voluntário tem a
expressão mais elevada nos Estados Unidos (85 por
cento) e mais baixo na China (59). Na Europa, a
maior percentagem é atingida na Itália (82 por
cento).
As pessoas planeiam vir a ter uma actividade
remunerada depois de reformadas?
A resposta é sim no caso de 46 por cento dos activos
portugueses. Mas na realidade verifica-se que só
nove por cento dos que já se reformaram trabalham.A
Itália tem a menor percentagem de europeus que
tencionam continuar a trabalhar (26 por cento), mas,
no entanto, o peso dos reformados que efectivamente
se mantêm um vínculo laboral é mais elevada do que
em Portugal (11 por cento). O Japão lidera, quer nas
intenções, quer na realidade: 67 por cento dos
activos tencionam trabalhar quando se aposentarem,
50 por cento dos reformados dizem que já o fazem.
O que pensam os portugueses sobre
o aumento da idade da reforma?
Sessenta e três por cento dos activos discordam do
aumento da idade de reforma, opinião também
partilhada por 51 por cento dos reformados. O limite
para a idade de aposentação deve ser os 60 anos,
segundo os activos, e os 62 anos, na opinião dos
actuais reformados. A desaprovação do aumento da
idade da reforma atinge o valor mais alto na
Alemanha, onde 73 por cento dos activos e 65 por
cento dos reformados estão contra.
Há optimismo ou pessimismo dos activos quanto ao
valor das reformas?
Setenta e dois por cento dos activos portugueses
consideram que vão ter uma reforma menor do que o
último salário, 18 por cento ainda têm esperança de
ela ser igual e nove por cento acalentam a esperança
de vir a ter uma pensão mais elevado do que o
salário. O pessimismo é maior na França (81 por
cento esperam pensão menor), Alemanha (85 por cento)
e Japão (90 por cento).
Mas as pessoas sabem quanto vão receber?
Os portugueses são os que vivem no maior
desconhecimento: só 15 por cento sabem quanto
receberão, uma percentagem inferior à dos 18 por
cento de espanhóis, 20 por cento de franceses e 26
por cento de italianos, e bastante longe dos 54 por
cento de activos de alemães que sabem aquilo com que
poderão contar.
Os países da União Europeia deviam ter um mesmo
sistema de pensões?
Os inquiridos portugueses são, entre os europeus
abrangidos pelo inquérito, os que mais aplaudem essa
ideia. Para 86 por cento dos activos e 94 por cento
dos reformados devia ser essa a situação. Espanhóis,
italianos e franceses manifestam também opiniões
maioritárias a um tal cenário. A ideia colhe menos
apoio entre os holandeses: só é acolhida
favoravelmente por 34 por cento dos activos e 40 por
cento dos reformados.
O montante da reforma poderá cobrir as despesas
domésticas previstas para depois da vida activa?
Os inquiridos na maioria dos países referem que as
despesas são mais elevadas do que a pensão prevista,
embora em países como os Estados Unidos, Alemanha ou
Reino Unido as respostas vão no sentido contrário. A
menor diferença entre um dado e outro é observada em
Portugal: a pensão média referida é de 579 euros, o
que está 42 euros abaixo dos 621 euros calculados
para as despesas.
A redução do valor da reforma é considerada uma
possibilidade?
Sim. Para 57 por cento dos activos e 45 por cento
dos reformados portugueses esse é um dos possíveis
efeitos de futuras mudanças no sistema. Entre os
europeus só os espanhóis e italianos se declaram
menos preocupados, mas em países como Japão,
Alemanha e Austrália os inquiridos têm uma convicção
bastante alargada (valores de 80 e 90 por cento) de
que isso poderá acontecer.