Público -
29
Jan 07
VALENÇA "Desafogar" orçamentos familiares e
atrair habitantes
Para o autarca de Valença a carga fiscal sobre os
contribuintes já é excessivamente alta. Daí que
assegura que a Câmara que preside será tão agressiva
quanto possível a fim de não sobrecarregar ainda
mais os orçamento familiares
A aplicação da taxa mínima de IMI no município de
Valença é apenas uma de muitas medidas que a câmara
municipal local pretende implementar ou que já
vigoram por sua determinação com vista o "desafogar"
dos orçamentos familiares dos habitantes daquele
concelho e o avolumar da população residente. Os
prédios já avaliados, segundo as regras
estabelecidas no Código do referido imposto, estão,
actualmente, a ser tributados a 0,2, a taxa mais
baixa, enquanto que sobre os imóveis não avaliados
pendem taxas de 0,62.
De futuro, quando "for legalmente possível", aquele
município poderá, segundo o presidente da câmara,
José Luís Serra (PS), vir a abdicar de até 5 por
cento das receitas ficais tipificadas de IRS,
transferindo esse benefício para o contribuinte,
conforme o que prevê a nova Lei das Finanças Locais.
Tudo por um objectivo maior: A fixação e a atracção
de população para aquele concelho de fronteira.
"Queremos ser agressivos neste aspecto. Naquilo que
a lei nos permite, seremos agressivos de forma a
tornar-nos cada vez mais atractivos", vinca Serra,
destacando a importância que tem para a população
local a implementação da taxa mínima de IMI pelo
facto de este ser um imposto que "atinge o cidadão,
em todos os estratos, e todos os sectores".
O autarca defende que, sendo aquele um concelho onde
predomina a classe média, a medida faz ainda mais
sentido. "A nossa classe média, devido a uma carga
fiscal elevadíssima, está não só a perder poder de
compra, como tem um nível de endividamento mais do
que preocupante", explica José Luís Serra,
sustentando que, nos dias de hoje, "os orçamentos
familiares são feitos quase ao tostão".
Além de dinamizar a economia e de beneficiar os já
residentes no concelho de Valença, o abdicar do
imposto aplicado aos imóveis como uma fonte de
receita maior, tem ainda subjacente um outro
objectivo mais global: O de atrair população para um
concelho do distrito de Viana do Castelo, que com o
passar do tempo se foi esvaziando de habitantes,
embora as últimas estatísticas revelem que em
Valença essa tendência tem vindo a sofrer
gradualmente uma inversão.
"Isto tem consequências que não se vêem no dia a
seguir, mas a nossa obrigação é criar todas as
condições para que o concelho cresça em termos
populacionais, porque sem gente não há
desenvolvimento", refere Serra, manifestando-se
convicto de que "se uma família conseguir,
deslocando-se do local A para o B, ter uma economia
na ordem dos 100 ou 200 euros por mês, a sua decisão
é quase obrigatória". "Não tenho dúvidas de que com
o passar do tempo e o agravar da situação acabam por
tomar a decisão", conclui.
Anteriormente o IMI em Valença era tributado a 0,8
por cento para os prédios "antigos" e de 0,3 por
cento para os "novos".
Ana Peixoto Fernandes
Porto de Mós é o único concelho do distrito de
Leiria que cobra a taxa mínima de IMI. A autarquia
baixou o imposto de 0,4 por cento para 0,2 por cento
em 2005 para não penalizar a população,
maioritariamente rural, e impedir a execução de
obras clandestinas nas habitações.
O presidente da autarquia eleito pelo PS, João
Salgueiro, justifica a medida com o facto de a
maioria da população viver da agricultura e ter
fracos recursos económicos. "Houve uma senhora que
me veio dizer, com as lágrimas nos olhos, que pagava
seis contos por ano, na moeda antiga, e que depois
de ter feito dois quartos e duas casas-de-banho
passou a pagar cento e tal", conta.
João Salgueiro explica que ao cobrarem o valor
mínimo da taxa de IMI pretendem ainda combater a
desertificação de algumas freguesias, como é o caso
do Juncal, já que as pessoas têm tendência para
procurar as zonas mais urbanas. "Queremos inverter
esta situação".
Apesar de estar certo de que a redução da taxa para
0,2 por cento não teve como consequência a atracção
de novos habitantes para o concelho, o autarca
acredita que teve o mérito de permitir aos munícipes
realizar obras de ampliação nas suas habitações e
contribuir para o fim das obras clandestinas. "Não
vai ser por reduzir a taxa de IMI, a derrama ou a
taxa de IRC que as pessoas e as empresas vão mudar
de concelho."
"A Câmara Municipal de Porto de Mós não está a
perder dinheiro com isto. As câmaras não vivem sem
receitas, mas têm que ver as questões sociais. A
situação económica não está muito famosa, pelo que
temos que procurar um equilíbrio. E isso faz-se com
um esforço financeiro noutras áreas, já que queremos
manter esta taxa", refere o presidente da autarquia.
A redução da taxa de IMI de 0,4 para 0,2 por cento
foi apresentada pelo próprio autarca, no anterior
mandato, em que desempenhava as funções de vereador.
Na ocasião, o então presidente da autarquia, o
social-democrata José Ferreira, queria baixar o
imposto de 0,4 para 0,3 por cento, mas a proposta de
Salgueiro é que acabou por ser aprovada por
unanimidade. Alexandra Barata