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Correio da Manhã - 12 de Julho
NOVO ESCALÃO REFORÇA ABONO DE FAMÍLIA
Manuela Eanes, Graça Machel, António Guterres e Almeida Santos
no 18º aniversário do Instituto de Apoio à Criança que ontem
decorreu no Parlamento
O primeiro-ministro anunciou ontem que o Governo vai aprovar, em
breve, a introdução de um novo escalão no subsídio familiar a
crianças e jovens.
Segundo António Guterres, esta medida aplica-se às famílias com
rendimentos entre 1,5 e quatro salários mínimos nacionais e deverá
abranger mais de 750 mil crianças, ou seja, cerca de 45 por cento das
actualmente beneficiadas.
As prestações variam entre os 3.900 e os 21.100 escudos mensais.
Durante uma intervenção no colóquio "Protecção à Criança -
Progressos e Desafios", realizado no âmbito das comemorações do
aniversário do Instituto de Apoio à Criança, António Guterres
anunciou que esta promessa do Governo será concretizada em breve. Disse
também que hoje será aprovado em Conselho de Ministros o Plano
Nacional para a Inclusão, cujo objectivo é o de erradicar a pobreza
infantil até 2010. Relativamente ao subsídio familiar, o
primeiro-ministro explicou que o novo escalão dará uma prestação de
14.550 escudos mensais para o primeiro e segundo filhos com menos de 12
meses e 21.100 escudos para o terceiro filho e seguintes com menos de um
ano, o que representa um acréscimo de 16 e 25 por cento,
respectivamente. Os primeiros e segundos descendentes com mais de 12
meses passarão a ter direito a um subsídio de 3.900 escudos, o que
corresponde a um aumento de 16 por cento. Finalmente,
para o terceiro filho e seguintes, também com mais de um ano, a
prestação será de 5720 escudos. Ao todo, o primeiro-ministro prevê
que este novo escalão abranja mais de 750 mil crianças. Relativamente
ao Plano Nacional para a Inclusão, a aprovar hoje pelo Executivo,
António Guterres explicou que este tem três objectivos fundamentais. O
primeiro é o de reduzir a taxa de pobreza para os 17 por cento até
2005, sendo que, em 1995, se situava nos 23 por cento. Depois,
pretende-se reduzir em 50 por cento a pobreza absoluta, também até
2005. Finalmente, tendo como meta o ano 2010, o Governo quer erradicar
por completo a pobreza infantil. Com esta medida de erradicação da
pobreza infantil, salientou o primeiro-ministro, "pretende-se que
todas as crianças em situação de exclusão social que abandonaram
precocemente o sistema escolar tenham direito, num prazo de três meses,
a um contrato de inserção social com medidas específicas que
potenciem o regresso à escola ou à formação inicial".
Financiamento de creches
Nesta cerimónia do Instituto de Apoio à Criança, onde participou
Graça Machel, mulher do ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela,
António Guterres recordou também o lançamento, em Setembro, de um
projecto-piloto no Algarve de apoio às famílias com crianças em
creches. Durante o primeiro ano, esta medida será testada na região
algarvia, mas deverá estender-se depois a todo o país. Tendo como base
o rendimento mensal das famílias, será atribuído um subsídio para
ajudar ao pagamento das creches. Assim, as famílias inseridas no
primeiro escalão das prestações familiares poderão receber um apoio
de 90 por cento do valor da mensalidade da creche, até um máximo de 45
contos. As famílias do segundo escalão receberão 80 por cento até um
máximo de 40 contos. As do terceiro escalão terão direito a 50 por
cento até aos 25 contos. Finalmente, às famílias do quarto escalão
serão atribuídos 20 por cento até um máximo de dez contos. O
Instituto para o Desenvolvimento Social, a instituição responsável
pela implementação desta medida, analisará os resultados deste
projecto-piloto no Algarve, prevendo-se que este seja depois aplicado no
resto do país a até mesmo noutras valências de apoio social,
nomeadamente às famílias com idosos em lares.
Lurdes Sousa
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