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Expresso - 21 de Julho
ALTA AUTORIDADE
A fuga à reforma
O NOVO presidente da Alta Autoridade para a Comunicação Social, juiz conselheiro Torres Paulo, tomou posse esta semana. Se a Alta Autoridade tivesse alguma relevância para lá de impor a publicação e republicação de cartas ao director, aplicando mecanicamente uma lei perversa e feita por alguém que nunca deve ter visitado a redacção de um jornal, dir-se-ia pelo menos que a posse do novo presidente pôs fim a um vazio de poder. Assim, nem isso vale a pena dizer. O vazio continuará para o que é essencial e, para fingirem que regulam alguma coisa, os pequenos poderes da AACS continuarão a vingar-se no direito de resposta.
Vem o juiz ao caso porque explicou com estas ponderosas e honestas razões a sua nomeação para o cargo: estava a dez meses do limite de idade no Supremo Tribunal de Justiça e viu na AACS a oportunidade de uma «prorrogação» do trabalho activo. Como se trata de «um lugar interessante e muito ligado à via judicial», lá está ele. Desconhece,segundo diz, toda a contestação em torno do organismo a que agora preside - «Não acompanhei. Não quero saber. Isolo-me», disse na posse, segundo o «DN» - e confessa desconhecer «como funciona efectivamente a AACS». Apenas sabe, decerto porque interessadamente lhe disseram, que o quadro de funcionários «é mais do que insuficiente».
Foi pena que o juiz Torres Paulo se tivesse lembrado desta AACS para aplicar o seu honrado e muito louvável plano de fuga à reforma. Porque a verdade é que, no ponto em que se encontra a Alta Autoridade, já só uma pergunta faz sentido: não se pode exterminá-la?
E-mail: fmadrinha@mail.expresso.pt
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