Público - 10 de Julho
Durão Defende Uma Política de Natalidade para Portugal
Por HELENA PEREIRA
Encontro do PSD sobre a família e o papel do Estado
O presidente do PSD, Durão Barroso, defendeu ontem que o combate à
queda da natalidade registada em Portugal deve ser um objectivo
nacional. No encontro sobre "Uma nova política para a
família", organizado pelo Instituto Sá Carneiro, em Lisboa, foram
evidentes as preocupações dos participantes com o baixo número de
nascimentos, as queixas por falta de apoios dados às famílias e
também a incomodidade com a protecção às famílias não-tradicionais.
"Temos um problema de natalidade em Portugal e, por isso,
aumentar a natalidade deve ser um objectivo nacional. O Estado tem de
criar condições para que as famílias não sejam penalizadas",
afirmou o presidente do PSD, no encerramento do debate, onde se discutiu
o papel da família, as famílias numerosas, a política fiscal e a
segurança.
Salvaguardando a decisão individual, Durão afirmou que deve haver
por parte do Estado uma política de natalidade que estimule a
renovação de gerações.
Actualmente, disse, um casal português tem em média 1,4 filhos.
Durão Barroso lembrou as propostas do PSD sobre família que foram
todas chumbadas pela maioria PS na Assembleia da República: o programa
via verde para a família, o cartão-família, apoios à permanência de
idosos em casa de familiares, a redução de horário de trabalho para
quem tem filhos deficientes a cargo, aumento dos limites da dedução à
colecta, reforço das medidas de protecção à maternidade e a lei de
bases da família (chumbada duas vezes e muita idêntica à do PP que
foi aprovada na votação na generalidade). "Não vamos prescindir
delas. Vamos aplicá-las quando formos Governo", garantiu.
Considerando que "a família não está ultrapassada, nem pode
ser relegada para o museu de preconceitos ideológicos", Durão
Barroso criticou o Governo por se preocupar "muito com alguns e
pouco com muitos".
"Hoje tornou-se politicamente incorrecto defender a natalidade,
o casamento, a família e politicamente correcto defender as uniões de
facto, a pílula do dia seguinte, a liberalização do consumo da
droga", afirmou, indo ao encontro das palavras de Bagão Félix, da
Comissão Nacional de Justiça e Paz, que também criticou o Governo por
"discriminar negativamente a família tradicional em nome das
minorias".
"Não se pode chamar família a outras coisas! Não é por
chamar laranjeiras a limoeiros que estes começam a dar laranjas",
afirmou Fernando Ribeiro e Castro, presidente da Associação de
Famílias Numerosas, que afirmou nascerem em Portugal 50 mil crianças a
menos do que aquilo que seria necessário para o rejuvenescimento da
comunidade.
Segundo Ribeiro e Castro, sete por cento das famílias portuguesas
consideradas numerosas (com três ou mais filhos) são responsáveis por
26 por cento dos nascimentos.
Bagão Félix queixou-se ainda do facto de não haver incentivos
fiscais para as famílias que optam por tratar os idosos em casa em vez
de os colocar num lar e de, em termos de subsídios, o "Estado
pagar menos por um filho do que pelo abate de uma oliveira ou de uma
vaca louca".
A favor da família tradicional, falou também Fernando Negrão,
ex-director da Polícia Judiciária, que foi convidado para intervir
sobre família e segurança. Fernando Negrão tem participado, nos
últimos tempos, em várias iniciativas do PSD, mas rejeitou qualquer
apoio político. "Sou socialmente activo e civicamente interessado.
Se isso for político, sê-lo-ei", afirmou ao PÚBLICO.