Carta aberta da APFN à FENPROF

Exmos Senhores

A APFN tomou conhecimento da vossa preocupação pela ameaça de desemprego que paira sobre a classe de professores, manifestada através da entrega de um abaixo assinado no Ministério da Educação.

Como pais, primeiros responsáveis pela educação dos nossos filhos e, como tal, pela sua orientação vocacional, compreendemos perfeitamente a vossa bem justificada preocupação, uma vez que ficaríamos tão preocupados por um dos nossos filhos dizer que quer ser professor, como se dissesse que queria ser astronauta.

Portugal precisa tanto de novos professores como de astronautas devido à política anti-natalista que tem vindo a ser praticada nas últimas dezenas de anos, tornando cada vez mais difícil a vida dos casais com filhos, tanto mais quanto maior o número de filhos. Os resultados dessa política estão bem à vista, e os professores são apenas algumas das suas vítimas.

Com efeito:
- Há 20 anos que, todos os anos, nascem 50.000 crianças a menos do que seria necessário para a renovação das gerações. Isto traduz-se, actualmente, numa carência de 1.000.000 de crianças e jovens, com uma idade média de 10 anos.
- Cada vez os pais têm menos tempo para estar com os filhos, enquadrando-os e educando-os, o que se traduz num aumento de problemas com esse cada vez menor número de jovens, de que os professores são testemunhas privilegiadas.

Por esse motivo, a APFN quer demonstrar publicamente a sua compreensão pelas questões manifestadas pela FENPROF, até porque uma elevada percentagem dos sócios da APFN são professores, desde o ensino pré-escolar ao universitário. Gostaríamos, no entanto, de alertar a FENPROF que o encerramento das escolas está a ser feito por, de facto, não haver alunos. A responsabilidade disto não é do Ministério da Educação, mas sim da desastrosa política familiar que Portugal tem vindo a ter nas últimas dezenas de anos.

Deste modo, solicita o apoio da FENPROF às nossas propostas, que consistem, simplesmente, em o Estado deixar de penalizar os casais com filhos, tanto mais quanto maior o seu número.

Em particular, a FENPROF poderá tomar medidas concretas, através dos professores que representam, de modo a minimizar o impacto de um novo ano escolar na vida das famílias, acabando de vez com a escandalosa negociata com os livros escolares.  Neste domínio, as propostas da APFN são muito simples e a sua implementação é totalmente gratuita. Basta:
1 - Não permitir que os alunos escrevam nos livros escolares e de exercícios, usando, para esse efeito, apenas os cadernos escolares, de modo a poderem ser reutilizados no ano seguinte;
2 - Não mudarem de livros escolares quase todos os anos;
3 - Pedirem para serem adquiridos apenas os livros estritamente indispensáveis. Livros apenas para consulta deverão existir em bibliotecas escolares.
4 - Criarem uma "bolsa de livros escolares" nas diversas escolas com livros usados pelos alunos no ano anterior, e que serão emprestados a quem quiser no ano seguinte. Um aluno que inutilize um livro que lhe tenha sido emprestado, deverá adquirir e devolver um livro novo.

Não temos dúvidas nenhumas que, se todos colaborarmos no sentido de despenalizar os casais com filhos, os graves problemas que decorrem da baixa natalidade em Portugal serão resolvidos, de vez, num prazo relativamente curto. Por isso, pedimos a vossa colaboração, para bem de todos (pais, professores e toda a restante sociedade), pelo que solicitamos que adoptem as nossas propostas e as recomendem aos vossos representados.

Escolhemos a forma de "carta-aberta" para comunicar convosco, a fim de contribuir para uma maior divulgação das nossas comuns e legítimas preocupações.  Cópia desta carta está a ser enviada a governantes, parlamentares e comunicação social.

Cumprimentos

Fernando Castro
Presidente da Direcção
 

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