Público - 12 Jul 05

 

70 por cento dos alunos do 9.º tiveram negativa no exame de Matemática
Isabel Leiria

A Língua Portuguesa os resultados foram melhores
e a grande maioria dos estudantes obteve nota igual ou superior a 3

Em ano de estreia dos exames nacionais do 9.º ano de Língua Portuguesa e de Matemática, a razia a esta última disciplina só não é maior porque os testes contam apenas 25 por cento para o cálculo da nota final. Isto, porque 70,7 por cento dos 85 mil alunos que fizeram esta prova tiveram 1 ou 2 valores (numa escala de 1 a 5). No entanto, feitas as contas com a classificação atribuída internamente pela escola no final do 3.º período (vale 75 por cento), a grande maioria - três em cada quatro estudantes - acabou mesmo por passar na disciplina.
A Língua Portuguesa os resultados foram incomparavelmente melhores e as percentagens invertem-se. Praticamente 77 por cento dos cerca de 85 mil que fizeram o exame tiveram uma nota dentro da positiva (igual ou superior a 3). Depois de feita a ponderação com a nota do 3.º período, os dados divulgados ontem pelo Ministério da Educação (ME) revelam ainda que apenas um em cada cinco alunos do 9.º ano não conseguiu passar a Português neste final de ano lectivo.
Em comunicado emitido ontem, o ME constata que as "taxas de aprovação estão em consonância com as classificações de frequência". Dificilmente assim não seria porque os exames contaram este ano, a título excepcional, apenas 25 por cento e só em 2006 terão um peso na classificação final de 30 por cento.
Ou seja, desta vez, qualquer aluno que no 3.º período tivesse uma nota de 3 ou mais valores estava automaticamente passado. Mesmo que viesse a ter 0 por cento no exame nacional - as provas são classificadas numa escala de 0 a 100 por cento, que é depois convertida para níveis de 1 a 5.
A verdade é que a Português o desempenho nos exames até terá acompanhado a prestação dos alunos ao longo do ano. Metade obteve nível 3, o que significa que estes estudantes tiveram uma classificação entre os 50 e os 69 por cento.

Quase 19 mil tiveram nível 1
Mas a Matemática, tal como já ficara evidente com as provas de aferição e vários estudos internacionais, os exames nacionais deixaram a nu as fragilidades no final da escolaridade obrigatória. É preciso ter em atenção que os mais fracos - aqueles com negativas a duas disciplinas e ainda 1 a Matemática, por exemplo - nem sequer foram admitidos a exame, porque estavam automaticamente chumbados.
Entre os que foram, a maioria (48,5 por cento) obteve nível 2 (entre 20 a 49 por cento). E um em cada cinco, ou seja, quase 19 mil nem sequer foram além do nível 1 (entre 0 a 19 por cento).
No extremo oposto, os dados permitem ainda concluir que as notas mais altas só estiveram ao alcance de uma pequeníssima minoria: a Matemática apenas 1,2 por cento dos examinandos conseguiram um 5 (entre 90 por cento a 100 por cento).
Já a Língua Portuguesa, ainda que os resultados tenham sido muito melhores, este nível de prestação só foi atingido por 1,6 por cento dos alunos. Mas também foram apenas 403 os que tiveram nota 1.
A informação disponibilizada ontem pela tutela indica ainda que foram poucos os estabelecimentos de ensino que optaram por fazer provas específicas aos alunos com necessidades educativas especiais: apenas cerca de 300 fizeram estes testes a nível de escola.
Esta população, bem como os imigrantes há dois ou menos anos no sistema de ensino português e os alunos com currículos alternativos estavam dispensados do exame. As provas incidiram este ano apenas sobre a matéria do 9.º, mas em 2006 está previsto que abranjam as competências do todo o 3.º ciclo.
Os resultados das provas deste ano foram ontem afixados nas escolas do ensino básico de todo o país.
 

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