Público - 12 Jul 05

 

"Era difícil, os estudantes de 5 ficaram pelo 3"
 

Tiago e Vítor estão a chegar à escola. "Eu gostava de Engenharia Agronómica" - comenta um deles, enquanto o outro vai debitando hipóteses como "engenharia de máquinas, civil..." A conversa é alimentada até chegarem à janela onde estão as classificações do final do 9º ano. Agora, o importante é ver se passaram e se as notas dos exames, feitos pela primeira vez, tiveram alguma influência nos seus resultados.
Na escola básica de 2º e 3º ciclo de Marvila, Lisboa, logo de manhã, os alunos iam ontem aparecendo a conta-gotas. "Amanhã é um dia melhor, eles vêm para fazer as matrículas e aproveitam e vêem também as notas", aponta o porteiro, António, com muitos anos de experiência. Desde as sete da manhã que as notas estão afixadas numa das janelas da escola, mas às 9h00 ainda poucos por ali passaram.
Nádia e Joana são das primeiras a chegar. As notícias não são boas para a primeira. "Tinha de ter 4 [na escala de 1 a 5 valores] no exame de Português para conseguir a positiva", lamenta. Teve 2. E não conseguiu passar do 1 a Matemática. "Aquele exame era bué de estúpido, não achaste?", atira para a amiga.
Joana, aluna de quatros, concorda: teve 2 valores no exame. "O que vale é que não desci o meu 4 a Matemática, senão a minha mãe matava-me. Mas o exame era difícil, os alunos de 5 ficaram pelo 3." A prova tem um peso de 25 por cento na nota final do 9.ºano.
Nádia já estava à espera do chumbo, mas confessa que ainda teve algumas esperanças, sobretudo a Língua Portuguesa. Para ela, os resultados dos exames eram fundamentais. Confusa, olha para as pautas e com a ponta do dedo percorre a linha do seu nome, onde está escrita a sentença: "Não aprovada".
A amiga conforta-a: "Chumbaram todos os que precisavam de ter 70 por cento nos exames e não tiveram..." Nádia conforma-se. "Anda, vamos comprar os papéis das matrículas."
De caderno A5 enrolado na mão, Diogo dirige-se à janela onde estão afixadas as notas. Abre o caderno, faz alguns rabiscos e observa as classificações, comparando-as com as de alguns colegas. "Era o que estava à espera", informa, embora a nota do exame de Matemática o tenha surpreendido - teve 3, mas as expectativas eram maiores, admite.
Cristiana define-se como uma "aluna razoável" e foi até à escola confirmar o que já sabia: "Passei." A jovem de 15 anos aproveita para ver "quem não chumbou". Confessa que ficou espantada com as notas de Matemática. A ela o exame também correu mal, "pensava que ia ter 1 valor", mas conseguiu 2, o que lhe fez manter a média positiva.
Para os alunos não é fácil identificar as notas dos exames, entre as classificações de todas as outras disciplinas. "Onde é que está essa merda?! Não dá para ver nada", queixa-se Vítor, 15 anos, que, embora tenha tido 2 no exame de Matemática, manteve o 5 de classificação final.
À saída da escola, Tiago e Vítor voltam à conversa sobre as áreas da engenharia por que podem optar quando concluírem o secundário. Só interrompem para censurar as notas dos colegas no exame de Matemática. "Só uns e 2..." Bárbara Wong

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