Portugal Diário -
14 Jul 07
Governo prepara
apoios à natalidade
Andreia Nogueira
Medidas merecem
críticas das famílias numerosas e o aplauso dos
patrões
O Governo está a preparar um pacote de medidas de
apoio à natalidade centrada na criação de
incentivos, designadamente fiscais, às empresas que
apoiem a natalidade, e não em «prémios» financeiros
atribuídos às famílias, noticia esta sexta-feira o
jornal Sol.
Segundo o semanário, o objectivo do Executivo é
criar condições para uma melhor conciliação entre a
vida familiar e profissional, como por exemplo,
incentivando as empresas a criar creches para os
filhos dos funcionários, à semelhança do que por
exemplo a TAP já fez.
Embora ainda seja um assunto tabu, o jornal cita uma
fonte oficial do ministério, segundo a qual as
medidas que vão ser apresentadas não estarão
centradas nos «apoios directos para estimular a
natalidade», mas sim no «apoio à família».
O ministro Vieira da Silva criou um grupo de
trabalho informal para estudar o tema, que deverá
apresentar as medidas nos próximos meses, na
sequência de o Presidente da República, Cavaco Silva
ter pedido, há dois meses, uma reflexão sobre as
políticas de natalidade.
Para além destas medidas, o executivo socialista já
anunciou que pretende «aperfeiçoar» a licença de
maternidade e paternidade e duplicar os lugares nas
creches públicas em 50 por cento até 2009, para além
de continuar a apoiar Institutos Particulares de
Solidariedade Social, para onde anualmente transfere
mil milhões de euros.
Opiniões diferentes
Contactada pelo PortugalDiário, a secretária-geral
da Associação Portuguesa de Famílias Numerosas (APFN)
já criticou a intenção do Governo por considerar
estas medidas «avulsas» e pouco eficazes para
resolver a baixa natalidade no país.
«É importante que as empresas estejam estruturadas,
mas o Estado também tem de iniciar caminho»,
nomeadamente dando «ajudas financeiras às famílias»,
à semelhança do que acontece noutros países da
Europa, como a «Noruega», frisou.
Ana Cid Gonçalves acrescentou que «não faz qualquer
sentido» os incentivos do Governo à natalidade
passarem sobretudo por apoios às empresas, acusando
o Executivo de estar a «hipotecar o futuro do país»,
já que os custos de apoiar a natalidade seriam
«muito mais baratos» actualmente do que os gastos
com o envelhecimento previstos para o futuro.
Já Estêvão de Moura, da Associação Industrial
Portuguesa (AIP), revelou que os possíveis
incentivos fiscais a empresas «uma influência muito
positiva sobre os índices de natalidade», alertando
no entanto que «quaisquer medidas que venham a ser
anunciadas pecam por tardias».
Mesmo assim, o representante da AIP considerou as
medidas em análise «insuficientes se a produtividade
do país não progredir e os rendimentos das famílias
não tenderem para padrões mais elevados».
Os altos custos suportados pelas empresas em relação
à maternidade «inibem algumas empresas e empresários
a adoptarem políticas mais activas no
desenvolvimento do binómio trabalho-família»,
adiantou.
Estêvão de Moura acusou ainda os sucessivos governos
desde os anos 90 de «inércia» na luta contra a baixa
natalidade e sublinhou que as empresas «têm feito o
seu papel» neste matéria.
Por seu lado, o secretário-geral da UGT disse ao
PortugalDiário que, apesar de considerar a noticia
do jornal Sol «especulativa», caso as medidas
apontadas venham a ser anunciadas a central sindical
que representa apresentar-se-á «contra» a sua
aplicação.
Para além de considerar que as empresas devem ter um
papel essencial no aumento da natalidade, João
Proença sublinhou que as politicas directas de
«apoio à família não podem passar ao lado».
O sindicalista fez, no entanto, questão de frisar
que estão a ser analisadas várias questões,
nomeadamente relativas às leis laborais, no sentido
de criarem melhores condições para os trabalhadores
com filhos.