Diário de Notícias -
21 Jul
08
Rendimento mínimo entre os menos eficazes da
Europa
Rudolfo Rebêlo
Estudos. Apenas 22,5% dos beneficiários regressam ao
trabalho após um ano
Modelo finlandês coloca 35% dos beneficiários no
mercado de trabalho
Um em quatro beneficiários do rendimento social de
inserção encontra emprego no prazo de um ano, mas o
modelo português apresenta inúmeras falhas, é
"repressivo" e está longe da eficácia do sistema
finlandês, que chega a colocar 35% dos beneficiários
no mercado de trabalho, de acordo com um estudo a
apresentar hoje em Lisboa por Amílcar Moreira,
investigador na Universidade de Dublin, Irlanda.
O que está a falhar no rendimento social português,
inspirado no modelo francês? "O modelo pode estar a
limitar as possibilidades de inserção dos
beneficiários" no mercado de trabalho, afirma
Amílcar Moreira, que usa dados de 1998 para comparar
a eficácia entre os vários modelos na Europa,
admitindo que os números sejam nos últimos anos
"mais positivos". Mas, ainda assim, os actuais
modelos diferem e são múltiplas as razões que
explicam a menor eficácia do RSI português, já que
há "problemas de interligação entre vários
serviços", nomeadamente com o Instituto do Emprego e
Formação Profissional, IEFP, e "não estabelece
normas precisas".
Acresce que o modelo português é visto como
"repressivo". As pessoas "com maior dificuldade para
encontrar trabalho são deixadas num limbo", refere o
investigador. As sanções de carácter repressivo,
"como as usadas no RSI, não são necessariamente as
mais eficazes".
O estudo, de Amílcar Moreira,
a apresentar hoje no Instituto Superior de Economia
e Gestão, ISEG, sugere que as "sanções de carácter
restitutivo - que não implicam a perda imediata do
subsídio, mas cortes progressivos nas prestações -
"são mais eficazes na inserção dos beneficiários do
RSI". Ou seja, a perda progressiva de parcelas de
subsídios poderá ter um efeito mais positivo na
busca voluntária de emprego.
O êxito do modelo de inserção finlandês - que
consegue colocar 35% dos beneficiários no mercado de
trabalho, em emprego não subsidiado, num prazo de 12
meses - é caracterizado por uma maior deslocalização.
São as autarquias que asseguram as colocações dos
beneficiários , "mas é muito restritivo em termos de
liberdade", afirma Amílcar Moreira, para quem "não
existe uma solução única" para a inserção. Tudo
depende, afirma o investigador, "dos programas e da
legislação do trabalho prevalecente em cada país".
O modelo português falhou? "As coisas não devem ser
colocadas nesse sentido", afirma o investigador
Amílcar Moreira, mas "temos de seguir para um modelo
em que haja mais relação entre o beneficiário e o
assistente social".